A julgar pelas compras feitas com cartão, o mês de julho foi uma espécie de Natal fora de época. Dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) mostram que as operações realizadas com cartões de crédito, débito e private labels (cartões distribuídos entre clientes de redes de varejo) totalizaram 508 milhões de transações em julho.

Essa marca só foi ultrapassada em dezembro de 2007, quando os brasileiros efetuaram 567 milhões de compras (10% a mais do que em julho) e gastaram R$ 37 bilhões.

Em julho, o valor movimentado pelas transações com cartão foi de R$ 31,7 bilhões, soma 25% maior que a registrada no mesmo período do ano passado. O valor médio de cada compra também cresceu. Passou de R$ 60, em 2007, para R$ 62, agora. "Os resultados são reflexo principalmente da expansão da economia brasileira e do aumento do emprego e da renda do trabalhador", diz Marcelo Noronha, diretor de Comunicação da Abecs.

Outros três fatores ajudaram o mercado a se desenvolver: o número de estabelecimentos que aceitam cartões aumentou, mais pessoas trocaram os cheques por essa modalidade de pagamento e novos consumidores tiveram acesso ao sistema bancário. No último ano, 56 milhões de novos cartões passaram a circular no mercado. "A população de baixa renda foi a principal responsável por engrossar a base. Esse público foi trazido para o mercado de cartões principalmente pelas lojas, com os private labels", informa Noronha.

Com mais cartões na praça, o volume de recursos destinado a essa modalidade de crédito também foi ampliado. Do total de R$ 360,9 bilhões em financiamentos destinados a pessoa física no primeiro semestre de 2008, 16% ( R$ 58 bilhões) foram concedidos via cartão. O valor supera em R$ 4 bilhões o resultado do mesmo período de 2007.

O comércio agradece. Dados da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio) mostram que o faturamento do setor subiu 5,5% em junho. "O crédito é a nossa força motriz, e o cartão responde por boa parte dos financiamentos feitos nas lojas", afirma Fernanda Della Rosa, gerente do Departamento Econômico da Fecomercio. "A prova disso é que os segmentos que não oferecem aos consumidores o cartão como forma de pagamento acabam crescendo menos que os outros." Entretanto, a facilidade de financiar uma compra pelo cartão é uma via de mão dupla. Pesquisa da Fecomercio mostra que 53% dos paulistanos estavam endividados em julho. Entre eles, 45% contraíram dívida pelo cartão.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.