SÃO PAULO - A decisão sobre a exploração do pré-sal deverá ser tomada sem preconceitos ideológicos. A opinião é do ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Mangabeira Unger, para quem o interesse estratégico sobre a região do litoral brasileiro, que pode levar o País ao patamar de grande produtor mundial de petróleo, não está necessariamente ligado ao controle estatal das reservas.

"Assegurar a primazia dos nossos interesses estratégicos não exige necessariamente a nacionalização, o controle estatal (sobre o pré-sal). Há outras maneiras de se fazer isso e nós precisamos resolver essa questão sem preconceitos ideológicos", afirmou Unger, que participou nesta quarta-feira do seminário Instituições para inovação, promovido pela Fundação Getulio Vargas (FGV) no Rio de Janeiro.

Para o ministro, a reativação da Quarta Frota da Marinha dos Estados Unidos não representa uma ameaça à soberania brasileira, embora, segundo Unger, reforce a importância de o Brasil criar uma estratégia nacional de Defesa.

"Lembro que uma das razões principais para a formulação da estratégia nacional de Defesa é contar com um escudo, não apenas contra agressões, mas também contra as intimidações", frisou. "Precisamos nos organizar para não ficarmos assustados com cada fato novo no mundo", acrescentou.

A reativação da Quarta Frota americana, destinada a atuar no Atlântico Sul, foi decidida este ano por Washington. Criada durante a Segunda Guerra Mundial e inativa desde a década de 50, a Quarta Frota foi recriada sob o argumento de que irá atuar contra o tráfico de drogas e operar conjuntamente com as Forças Armadas dos países do Cone Sul.

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