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Na Venezuela, bonança acabou

Nem as artimanhas orçamentárias, nem os discursos revolucionários do presidente Hugo Chávez evitarão que a economia da Venezuela seja castigada pela crise mundial. Produção e exportação de petróleo e investimentos privados serão afetados, na análise do economista Abelardo Daza, do Instituto de Estudos Superiores de Administração, de Caracas.

Agência Estado |

Para ele, o período de crescimento reduzido, escalada inflacionária e desequilíbrio nas contas públicas que começará neste ano será mais longo na Venezuela que nos demais países da região. Dificilmente, calcula ele, o país começará a se recuperar antes de dezembro de 2011.

A Venezuela será um poço de problemas econômicos e políticos para Hugo Chávez. A fase de bonança terminou, segundo prevê Daza. "O processo de desaceleração, de qualquer maneira, seria natural pelo esgotamento do modelo. Mas, com a crise e a linha macroeconômica seguida, a Venezuela viverá com taxas de crescimento de 1% e até de 0% por alguns anos."

Embora ele não preveja um quadro caótico em 2009, o cenário será bem diferente do verificado no passado recente, quando o país obteve taxas de crescimento expressivas - de 10,3% (2006), de 8,4% (2007) e de 6% (2008). A inflação continuará acima de 20% ao ano: em 2008, subiu a 27,2%, e em 2009 deverá alcançar 33,5%, nas previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI). As contas públicas, nos cálculos de Daza, mergulharão em déficit de 4,5% a 5% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse cenário tende a se repetir até o fim de 2011.

A perda da arrecadação de impostos do setor petroleiro, que responde por 60% da receita, provocou a expectativa de uma guinada na política de redução da carga tributária adotada pelo governo Chávez nos últimos anos. Está em estudo a adoção de uma versão caraquenha da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) brasileira, extinta em 2008. Trata-se de um imposto de 2% sobre o valor das despesas com cartões de crédito e dos saques.

Chávez deve optar ainda por um corte nos investimentos em infraestrutura entre o segundo e o terceiro trimestres deste ano. Essas são alternativas a um corte pesado nos gastos correntes - iniciativa da qual o presidente se esquiva, pelo impacto direto no eleitorado de baixa renda.

A crise pega em cheio a Venezuela por causa da dependência do petróleo.O orçamento de 2009, que prevê despesas de US$ 74,6 bilhões, foi montado com base em US$ 60 por barril. Na semana passada, a cotação ficou em torno de US$ 50.

Além disso, com o pacto da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) para evitar maior queda dos preços, o governo Chávez anunciou na semana passada a redução de 364 mil barris diários na produção. Com a queda da demanda de seu principal comprador, os Estados Unidos, a situação pode ficar pior.

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