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Na OMC, EUA prometem concessões mas exigem contrapartida

GENEBRA - Os Estados Unidos, pressionados a cortar subsídios agrícolas, disseram na segunda-feira que estão prontos para aceitar um novo pacto de comércio mundial, mas conclamaram países emergentes como o Brasil, a Índia e a China a fazerem sua parte.

Reuters |

 

"Sabemos que teremos de fazer novas contribuições para além das várias que já colocamos sobre a mesa", afirmou Susan Schwab, chefe da área de comércio dos EUA, em uma entrevista coletiva realizada antes do início de negociações decisivas para o avanço do processo.

No entanto, um acordo só seria possível se os grandes mercados emergentes, tais como o Brasil, a Índia e a China, abrirem mais seus setores agrícola, manufatureiro e de serviços para outros países, disse Schwab.

"Estamos aguardando ansiosamente que os outros façam contribuições", afirmou ela depois da sessão de abertura das negociações com ministros do Comércio de cerca de 35 países-membros da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O diretor-geral da entidade, Pascal Lamy, disse que a assinatura de um acordo nesta semana enviaria um sinal positivo para os mercados financeiros, atualmente abalados devido à crise de crédito nos EUA e à alta dos preços da energia e dos alimentos.

Lamy afirmou aos delegados que um acordo "poderia, nestas circunstâncias, significar um vigoroso empurrão capaz de estimular o crescimento econômico, tornar o cenário mais favorável ao desenvolvimento e garantir o nascimento de um sistema de comércio mais estável e mais previsível", afirmou Keith Rockwell, porta-voz da OMC.

Na segunda-feira, nenhum país deu sinais de que mudaria de postura, mas isso seria algo de se esperar neste momento, disse o porta-voz.

Mas, em público, os países ricos e pobres entraram em atrito a respeito de saber quem precisa se esforçar mais para que as negociações produzam um resultado justo.

"Estamos, portanto, olhando para alguns milhões de produtores nos países desenvolvidos (...) versus centenas de milhões de produtores de uma agricultura de subsistência", afirmou na entrevista coletiva Gopal Pillai, principal autoridade do Ministério do Comércio da Índia.

"Não temos muito espaço de manobra porque se trata de uma questão de sobrevivência, não uma questão de garantir a prosperidade dos produtores ricos."

As propostas mais recentes exigem que os EUA cortem seus subsídios do atual teto de US$ 48,2 bilhões para algo entre US$ 13 bilhões e US$ 16,4 bilhões.

A ministra do Comércio da Indonésia, Mari Pangestu, afirmou em uma entrevista coletiva que os países em desenvolvimento haviam proposto anteriormente que o teto dos subsídios norte-americanos fosse de aproximadamente US$ 12 bilhões.

A União Européia (UE), de outro lado, encontra-se sob pressão para diminuir os impostos de importação cobrados dos produtos agrícolas e limitar o número de produtos "sensíveis" a serem protegidos dos cortes mais profundos nas tarifas.

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