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Na OMC, Argentina rejeita proteção apenas temporária à sua indústria

GENEBRA - A Argentina rejeita soluções temporárias para proteger sua industria de uma liberalização comercial. Esta é uma das idéias com que os parceiros acenaram para tentar convencer Buenos Aires a aceitar um eventual acordo até o fim do ano na Rodada Doha.

Valor Online |

O diretor-geral da Organização Mundial do Comercio (OMC), Pascal Lamy, planeja fazer uma reunião de ministros de 13 a 15 de dezembro, se até o fim desta semana constatar avanços nas negociações agrícola e industrial.

A tensão e as dúvidas, porém, aumentam também com o racha no Mercosul sobre liberalização industrial. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, estará hoje em Genebra com a comissária européia de comércio, Catherine Ashton, e uma das questões será o estado do bloco, além do etanol.

O Brasil e outros parceiros passaram a indagar aos argentinos se dava para " explorar alternativas " a sua proposta na negociação industrial para pavimentar o terreno na OMC. Uma possibilidade seria dar mais prazo para a Argentina cortar as tarifas industriais, desde que provocasse " perfuração apenas temporária " na TEC. Mas mesmo isso depende do grau de tolerância do setor industrial brasileiro. A estrutura da TEC não seria irremediavelmente afetada, pois seria reparada depois do fôlego adicional para Buenos Aires.

Os representantes argentinos, contudo, recusam uma solução temporária. Avisaram que estão pedindo o que sua industria precisa, para crescer e para que haja um acordo " justo e equilibrado " . A proposta, porém, é qualificada de " loucura " por vários países. Um embaixador reclamou que Buenos Aires " não quer abertura e ponto " . Outro indagou " até quando a Argentina vai pedir proteção para sua indústria, porque isso vem desde 1992 e não pára " .

Buenos Aires avisou que só corta em 42% as tarifas industriais e quer até 24% de suas linhas tarifárias protegidas de cortes integrais. Em comparação, o máximo que Brasil e outros emergentes conseguiram, na negociação com nações industrializadas, foi corte de 52% na média e 14% de linhas tarifárias protegidas. Em reunião na quinta-feira em Brasília, Brasil e Uruguai demonstraram que querem negociar liberalização, e o Paraguai, com novo governo, mostrou duvidas, enquanto a Argentina recusou.

O subsecretário de comércio internacional, Nestor Stancanelli, argumentou ontem que o Mercosul terminará 2008 com importações de US$ 240 bilhões, comparados a US$ 60 bilhões em 2002, ou seja, a liberalização continua, mas é preciso moderação na demanda dos ricos. " Temos a maior elasticidade ao comércio. Quando a economia cresce 1% no Mercosul, o comércio aumenta 6%. O que queremos são cortes moderados e espaço para países em desenvolvimento continuarem a desenvolver e diversificar sua industria " , afirmou.

Para certos negociadores, o problema é que a Argentina é o único país que diz que não está pronta a negociar o que vem pedindo em Doha. A África do Sul tem demanda idêntica, mas avisou que está pronta a fazer barganhas. Seu ministro de comércio estará esta semana em Buenos Aires. Assim, a questão entre parceiros é se o governo de Cristina Kirchner tem " algo na manga ? ? ou se manterá sua posição - o que implicaria explodir um eventual acordo de Doha.

No bloco, a divergência ocorre tambem sobre tentativas de Argentina e Brasil de elevar tarifas de importação de vários produtos. A Câmara de Comercio Exterior (Camex) já aprovou proposta para aumentar a alíquota sobre brinquedos, pêssegos da Grécia, certos tipos de têxteis. Mas aí é o Uruguai que recusa a medida e sugere a aplicação de sobretaxa por outro instrumento de defesa comercial, como salvaguarda.

Após três horas de reunião ontem no final da tarde, o ambiente entre os principais países na OMC era de prudência. O principal problema envolve a exigência americana de acordos setoriais para acelerar corte de tarifas, mas também há o problema da Argentina. Os negociadores vêem progressos, mas insuficientes para chamar os ministros a Genebra para fechar um acordo. A expectativa é de que isso mude esta semana.

(Assis Moreira | Valor Econômico)

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