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Na hora de consumir, a baixa renda se divide

Namorado querendo dividir o mesmo teto renovou o ânimo de Maria Efigênia de Menezes sobre um futuro endividamento. Como achou que ele iria colaborar com as despesas, foi às Casas Bahia e comprou cama de casal, colchão e fogão.

Agência Estado |

Tudo a prestação. Também fez aquisições de roupas e sapatos a crédito nas lojas C&A, além de ter perdido o controle das contas no cartão do Ricoy Supermercados. Resultado: seu nome está no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), sem perspectivas de sair de lá tão cedo.

"Não posso comprar mais nada, meu nome está sujo", diz ela, resignada, depois de terminar o namoro e voltar a morar na casa da mãe, numa tentativa de reequilibrar o orçamento. "Já falei para meus filhos que namorado agora é longe de casa."

Das dívidas contraídas, Maria Efigênia, de 43 anos, há quatro anos trabalhando como recepcionista, com salário de R$ 730,00, no Hotel Monte Neve, em São Paulo, conseguiu equacionar apenas a que tinha com a C&A, que dividiu em prestações de R$ 87,50. "As Casas Bahia já pararam de me mandar cartas de cobranças", acrescenta ela. "E o pior é que nem consegui vender a cama."

A situação de endividada da recepcionista não é a mais comum entre as pessoas de baixa renda. Corresponde a 8% do universo estudado pela empresa de pesquisas Ipsos. O levantamento divide em cinco grupos os consumidores das classes C,D e E, que representam 86% da população do País e movimentam cerca de US$ 211 bilhões por ano.

Porém, com a inflação em rota de alta, esse porcentual de endividados da pesquisa da Ipsos poderá se alastrar.

Perfis

Motivados pela premissa de que os consumidores de baixa renda têm perfis diferentes e tratá-los da mesma forma na hora de vender produtos e serviços é um erro, os pesquisadores do Ipsos chegaram a cinco tipos no que diz respeito à mobilização para consumo: gastadores, precavidos, endividados, austeros e les miserables.

A característica que mais surpreendeu os analistas do comportamento desses grupos foi justamente a descoberta dos precavidos entre as 1.500 pessoas pesquisadas em nove praças. Eles ganham US$ 5.089 por ano e, teoricamente, segundo o diretor do Ipsos Luís Minoru, deveriam ser mais irracionais nos gastos. "Algo similar aos chamados gastadores (que ganham até US$ 7.098 por ano e representam 15% do total), que têm hábitos semelhantes aos verificados nas classes A e B, no consumo de marcas".

O profissional de manutenção predial Paulo Henrique Pereira Gomes, de 39 anos, se situa entre os chamados precavidos, ou seja, os que têm cautela na hora de financiar compras. Um grupo que totaliza 44% do total pesquisado.

"Na minha família não compramos nada a prazo", diz ele, que, com salário de R$ 1,2 mil, sustenta mulher e quatro filhos. "Prefiro juntar o dinheiro e pagar sempre à vista, mas não sei se vou continuar conseguindo com os preços subindo do jeito que estão", conclui ele.

A alta do Índice de Preços ao Consumidor, que no acumulado em 12 meses atingiu 7,28%, não impacta esse estudo da Ipsos, conforme Minoru.

"Quem trabalha com baixa renda sabe que precisa de escala. O tíquete médio baixo exige venda em quantidade para compensar investimentos. O que pesou no estudo foi a aproximação nunca antes vista entre a curva de intenção de compra e a curva de realização de compra. Fatos que foram impulsionados pelos programas sociais do governo e o crédito fácil."

Celular é a estrela do consumo na baixa renda, com 66% de presença. Já conta bancária só 22% tem; carro, 16% e computador 8%.

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