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Na contramão do mundo, Brasil segura taxa de juros

A ameaça de recessão mundial em 2009 tem levado a maioria dos países a reduzir a taxa básica de juros para estimular a atividade econômica. Levantamento da LCA Consultores, atualizado até a primeira semana de dezembro, revela que 28 nações entre 52 baixaram o juro desde a quebra do Banco Lehman Brothers, em setembro.

Agência Estado |

Esse evento é considerado o responsável pelo aprofundamento da crise global. Outros 17 países mantinham suas taxas e sete a elevaram.

O Brasil mantém a Selic em 13,75% ao ano desde agosto. Segundo analistas, a opção do Banco Central (BC) é explicada por dois fatores. O primeiro é que a demanda no País vinha crescendo fortemente até setembro, ao contrário dos países desenvolvidos, que há algum tempo enfrentam quedas expressivas do consumo. O segundo é a valorização do dólar ante o real, que se reflete na alta da inflação.

"A crise aqui tem uma natureza diferente da dos Estados Unidos. Portanto, para doenças distintas, é preciso dar remédios distintos", diz o professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP) Fabio Kanczuk. Segundo ele, os EUA estão lidando com o estouro de uma bolha (neste caso, imobiliária), que se refletiu no restante da economia, derrubando a demanda. Por isso, na terça-feira, o Federal Reserve (Fed, o banco central do país) reduziu a taxa de juros de 1% para um intervalo entre 0 e 0,25% ao ano.

O Brasil, explicou Kanczuk, se depara com um efeito colateral da crise americana e da desaceleração mundial: a expressiva queda dos preços das commodities. "O País vinha crescendo na faixa de 5% ancorado nos altos preços desses produtos. Agora, precisa diminuir sua expansão para a faixa de 3% para acomodar esse choque", disse.

Na avaliação dele, o BC dirigido por Henrique Meirelles age corretamente ao esperar mais tempo para mexer na Selic. Kanczuk lamenta a indicação do Comitê de Política Monetária (Copom), após a última reunião, de que diminuirá a Selic em janeiro. Para ele, a valorização do dólar nos últimos meses (31,8% entre meados de setembro e ontem) vai se refletir na inflação no primeiro trimestre. "Se o BC cortar o juro em janeiro, enfrentará um constrangimento à frente", disse.

Lilian Fujy, economista do Banif Investment Bank, também acredita que o risco de repasse da alta do dólar para a inflação é o que tem mantido o BC cauteloso. A economista observa, ainda, que a expectativa do mercado para o IPCA, índice oficial de inflação do Brasil, em 2009 permanece acima da meta - 5,2% ante 4,5%.

No entanto, ela observa que a expressiva queda da atividade econômica, refletida em indicadores como a produção industrial de outubro, levará o Copom a cortar a Selic já em janeiro. A especialista está revisando a projeção para a taxa básica no ano que vem, mas disse que tende a optar por uma queda de 0,5 ponto porcentual no mês, o que a levaria para 13,25% ao ano.

Para o fim de 2009, ela espera que a Selic esteja em 12,25% ao ano. "As commodities estão caindo mais do que se esperava, o que tem compensado o efeito da alta do dólar na inflação", explica Lilian.

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