O governo chinês afirmou ontem que 20 milhões de migrantes rurais já perderam seus empregos em razão da crise global e outros seis milhões que se preparavam para ir às cidades em busca de trabalho permaneceram no campo, sem ocupação. Essa massa de pessoas equivalente à soma das populações de Chile, Paraguai e Uruguai terá dificuldade para encontrar emprego, na maior desaceleração econômica enfrentada pela China desde 1990.

As cidades têm cerca de 150 milhões de migrantes rurais que deixaram suas vilas ao longo das últimas duas décadas para trabalhar em fábricas que não exigem mão de obra especializada e nas inúmeras obras de construção espalhadas pelo país. Eles recebem salários baixíssimos, não contam com seguridade social e estão fora das estatísticas oficiais de desemprego, que incluem apenas os trabalhadores com origem urbana.

"Em razão da retração econômica, cerca de 20 milhões de migrantes rurais perderam seus empregos ou não encontraram colocações e retornaram para suas casas", disse Chen Xiwen, diretor do departamento responsável pela questão rural no Conselho de Estado, o gabinete chinês.

O potencial efeito desestabilizador desse desemprego em massa é uma das principais preocupações das autoridades chinesas. "Depois que eles retornarem às suas vilas, o que vão fazer para ter renda? O que vai ser de suas vidas? Este é um novo fator que tem impacto sobre a estabilidade social neste ano", ressaltou Chen em entrevista coletiva na qual anunciou medidas de apoio aos camponeses.

A zona rural concentra 55% da população chinesa, o equivalente a 720 milhões de pessoas, que vivem em condições muito mais difíceis que as dos moradores da costa leste do país. Com a desaceleração nas zonas urbanas, o governo decidiu elevar os investimentos no campo, na tentativa de contrabalançar os efeitos da crise. Entre as medidas detalhadas ontem está a extensão do subsídio de 13% a famílias camponesas para a compra de equipamentos eletrônicos, como TVs, geladeiras e celulares. O benefício começou a ser dado de maneira experimental em 2008 em 12 das 28 províncias.

"O maior potencial para impulsionar a demanda doméstica está nas áreas rurais", diz documento divulgado no domingo pelo governo sobre os problemas no campo. Pequim também aumentará os subsídios para agricultores e elevará em 17% o preço mínimo para compra de arroz pelo governo.

No fim de 2008, as autoridades anunciaram um megapacote de US$ 586 bilhões para estimular a economia. Os recursos serão gastos principalmente em obras de infraestrutura.

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