Depois de meses de negociação e adiamentos, a Apple começa a vender hoje o iPhone na China, mas em versão desprovida de um de seus elementos essenciais: a conexão sem fio para internet. Apelidado de eunuco pelos internautas chineses, o aparelho custará mais caro que os iPhones que entram no país de maneira ilegal e sem restrição para o serviço wi-fi.

O atraso no acordo entre a Apple e a operadora China Unicon, que venderá o iPhone, estimulou os consumidores a comprar o aparelho de contrabandistas. Atualmente, existem cerca de 2 milhões de iPhones na China, que foram desbloqueados para utilizar serviços de operadoras que não têm contrato com a Apple. Boa parte dos donos de aparelhos contrabandeados são clientes da China Mobile, maior empresa de celulares do mundo, com 500 milhões de usuários, e principal concorrente da China Unicon.

Já a ausência do Wi-Fi nos aparelhos decorre da intenção do governo chinês de desenvolver uma tecnologia própria de conexão sem fio para celulares, a WAPI. No início deste ano, quando a Apple e a China Unicon decidiram que o lançamento do iPhone seria em outubro, estava em vigor a regulamentação que determinava a retirada do Wi-Fi de todos os celulares comercializados na China.

Para cumprir o cronograma, a Apple iniciou a fabricação dos aparelhos dentro dessas especificações. Mas em maio, o governo chinês modificou as regras e passou a permitir que os celulares tenham o Wi-Fi e o WAPI. Naquela altura, porém, a empresa já havia produzido milhares de iPhones, que a China Unicon terá de desovar antes de oferecer aos consumidores a versão "completa" do produto.

Na avaliação de Duncan Clark, presidente da empresa de consultoria BDA, haverá pouco interesse dos consumidores no iPhone que passa a ser vendido hoje. "Eles estão lançando um produto que já está aqui. Além disso, por que alguém vai comprar um aparelho que tem menos atrativos e custa mais que o contrabandeado?" No mercado negro, é possível encontrar iPhones por cerca de 4.000 yuans (US$ 590), enquanto o modelo mais barato da China Unicon custará 4.990 yuans (US$ 735).

Segundo Clark, a decisão estratégica de Pequim de desenvolver tecnologias nacionais não encontra eco nos compradores. "Os consumidores chineses não são patrióticos. Eles querem a melhor tecnologia. A tentativa do atual governo de criar tecnologias próprias não está funcionando", diz.

Outro fator que deverá inibir as vendas do produto que chega hoje ao mercado é a expectativa de que em algum momento de 2010 a China Unicon começará a oferecer o celular com Wi-Fi. A previsão da Apple é vender 5 milhões de iPhones no país asiático nos próximos três anos. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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