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Responsável por 83,5% do estoque de crédito imobiliário no Brasil, a Caixa Econômica Federal começou 2010 da forma como atuou em todo o ano passado: com o pé no acelerador. Entre janeiro e o dia 17 de fevereiro, os empréstimos concedidos pela instituição apresentaram alta de 91% em relação a igual período do ano passado.

Em dinheiro, foram R$ 6,4 bilhões. Em contratos, 3.614 por dia, três vezes mais do que os grandes bancos de varejo fazem por mês. O desempenho surpreende até mesmo o vice-presidente da instituição, Jorge Hereda. "Reservamos R$ 50 bilhões para crédito imobiliário este ano, mas, nessa batida, podemos superar (esse número)", afirma. No ano passado, o crédito imobiliário na Caixa somou R$ 47 bilhões, 102% mais do que em 2008.

O vice-presidente do Banco do Brasil (BB) Paulo Rogério Cafarelli não divulga as projeções para expansão do crédito imobiliário em 2010. Mas diz esperar um ano "interessante", porque o Brasil saiu primeiro da crise e por causa da "materialização" do Minha Casa, Minha Vida (ler mais abaixo).

Especialistas destacam uma diferença importante entre o que ocorreu no ano passado e o que começa a se desenhar para este ano. Lá, havia uma determinação do governo de que os bancos públicos abrissem as torneiras do crédito para amenizar os efeitos da crise global no Brasil. Isso levou a Caixa e o BB a reduzir as taxas de juros. Ambas atraíram clientes e ganharam participação de mercado.

Muitos - entre eles Hereda - avaliavam que, neste ano, o ritmo ia esfriar, o que ainda não ocorreu. A explicação passa pelo déficit habitacional, que está entre 6 milhões e 8 milhões de unidades, conforme o cálculo.

"Há demanda (por imóvel)em todos os segmentos da sociedade", afirma o professor da Faculdade de Economia e Administração da USP Keyler Carvalho Rocha. "De um lado, há financiamento mais abundante. De outro, o comprador tem mais acesso hoje, graças à ascensão social no País."
Os especialistas consultados pelo Estado observam que a relação entre crédito imobiliário e Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil está entre as mais baixas do mundo. Levando em conta só financiamentos bancários, está na casa dos 3%. Considerando empréstimos de construtoras e outras fontes, vai para perto de 5%.

Hoje, as taxas de juros para o mutuário variam de 8,2% ao ano mais TR (taxa referencial) a 11% ao ano mais TR. Os diretores dos bancos garantem que, mesmo que a Selic seja elevada em 2010, como prevê o mercado, o custo do crédito imobiliário vai ficar como está.

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