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Não é a oferta dos sonhos, mas os EUA se mexeram

Não é a oferta dos sonhos do Brasil. Não muda o coração da política agrícola americana.

AE |

Não é a oferta dos sonhos do Brasil. Não muda o coração da política agrícola americana. Mas os Estados Unidos finalmente se mexeram e propuseram reduções em seus subsídios aos produtores de algodão. Se a oferta divulgada ontem for cumprida à risca, pode ser considerada uma vitória brasileira. Os negociadores americanos entregaram ontem, formalmente, uma proposta que prevê a redução de parte de seus subsídios agrícolas - o chamado GSM, que é o programa de garantia de crédito à exportação - e a criação de um fundo de US$ 147 milhões por ano de apoio aos produtores brasileiros de algodão. Esse fundo funcionaria como uma compensação por aquilo que a administração Barack Obama não pode mudar sem o aval do Congresso: os pagamentos de garantia de preço mínimo e os empréstimos de mercado. Esses dois programas fazem parte da Lei Agrícola americana (Farm Bill) e só podem ser revistos em 2012. Em contrapartida, pediram ao governo brasileiro para adiar a retaliação. "Quem já esperou 8 anos, aguarda uns meses", afirmou Pedro de Camargo Neto, especialista em comércio agrícola e mentor do painel do algodão. Ele alerta, no entanto, que é precisa ficar atento se as promessas serão cumpridas. O objetivo do Brasil nunca foi retaliar, mas reduzir as distorções do comércio global de algodão provocadas pelos bilionários subsídios americanos. O que os Estados Unidos propuseram ontem é alterar os prazos e os juros do GSM, esvaziando o programa ao torná-lo menos atrativo. Chegaram a sinalizar, inclusive, que vão "segurar" os recursos disponíveis para os produtores no programa enquanto não mudam as regras. Ao alterar o GSM, os EUA resolvem a maior parte do problema. Mais de US$ 630 milhões, dos US$ 830 milhões autorizados pela OMC, vêm do GSM. Se reformarem esse programa, os EUA se livram da retaliação cruzada em propriedade intelectual, que só poderia ser feita seo valor ultrapassar US$ 430 bilhões. Com essa mudança administrativa, que não fere os brios do Congresso dos EUA - embora certamente vá haver reclamações - os negociadores parecem ter desatado um nó. Os dois países estavam em uma "saia justa" com a retaliação marcada para começar na quarta-feira, impondo sobretaxas a 102 produtos americanos. No Brasil, não apenas os setores afetados, mas as principais entidades patronais protestavam. Os empresários estavam preocupados com o aumento do custo dos produtos, mas, principalmente, com o impacto nas relações com os Estados Unidos, que ainda é um dos maiores mercados do Brasil.
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