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Mundo confia em Obama, mas...

Há sinais de esperança e reina um clima de alívio no mercado internacional nestes primeiros dias do ano. Obama confirmou na terça-feira o seu plano ousado de investimentos de até US$ 800 bilhões.

Agência Estado |

Destes, US$ 300 bilhões só em redução e devolução de impostos. Começa executá-lo assim que assumir e tiver a aprovação do Congresso. Não é mais hora de debater, falar ou discutir, mas de agir com extrema urgência. O mundo ouviu, espera ansioso e vê sua esperança ganhar corpo de realidade.

SEM ACADEMICISMO

Os pronunciamentos de Obama nesta semana mostram que sua equipe e ele rejeitaram definitivamente a proposta de usar a política monetária, juros e injeção de liquidez, para combater a recessão. Paul Krugman, em mais um artigo excelente publicado ontem no Estado, mostra que essa política fracassou. O Tesouro está inundando o mercado com dólares, o Fed baixou o juro real a zero, os bancos e as instituições financeiras foram abastecidas com vários trilhões de dólares, mas nada disso adiantou até agora. A recessão apenas se aprofunda e ameaça transformar-se em depressão.

Hoje, Paulson e Bernanke reconhecem que erraram ao se concentrar apenas no socorro ao sistema financeiro. O fato é que os números econômicos recentes são assustadores, não apenas nos Estados Unidos, mas em todo o mundo, afirma Krugman. Os bancos não estão emprestando, as empresas e os consumidores não estão gastando. "Não vamos medir palavras: isso se parece muito com o início da 2ª Grande Depressão." E Krugman é o Prêmio Nobel de Economia deste ano.

É preciso voltar a Keynes. Para ele, a política monetária é ineficaz na depressão. Só a política fiscal - gastos deficitários do governo em grande escala -, pode combater o desemprego em massa, lembra Krugman.

OBAMA ACERTOU

E é exatamente isso o que Obama está fazendo. Na terça-feira, ele admitiu que os Estados Unidos poderão ter déficit orçamentário de US$ 1 trilhão não só em 2009. Não será nada trágico. Eles recebem investimentos externos anuais de US$ 2 trilhões e todos, no mercado americano e no exterior, continuam comprando os velhos títulos do Tesouro e os que estão sendo emitidos também.

A saída é reanimar a economia mundial com gastos públicos maciços. Estados Unidos e China já anunciam planos trilionários em obras e geração de empregos.O medo agora não é mais de inflação, mas de deflação. Se os preços continuarem a cair, a inflação chegará a zero e ninguém mais vai comprar esperando que baixem ainda mais. Aí estaríamos diante de um quadro de deflação e recessão. O pior dos mundos, que deve ser evitado, mesmo com os déficits dos governos.

DESEMPREGO ASSUSTA

Obama enfrenta a oposição do Partido Republicano. Isso é gravíssimo, pode retardar o início do programa de mais um mês com aumento do desemprego, que já está em 6,7% e ameaça passar de 10%. Dados preliminares estimam que só em dezembro foram demitidas 693 mil pessoas. Somados aos mais de 500 mil de novembro, só em dois meses há mais de 1,2 milhão de desempregados. Demissão em massa é o caminho certo para a recessão e a depressão. Espera-se que o Congresso seja mais responsável diante desses e de outros indicadores negativos que vão surgir.

CONFIA EM OBAMA,MAS...

Nestes primeiro dias do ano, ficou evidente que o mundo confia em Obama mas não no Congresso. Tudo depende de Obama e Obama depende do Congresso americano. Pode ser exagero, mas se a recuperação nos Estados Unidos for retardada por alguns meses pela politicalha dos republicanos conservadores e atrasados,o mundo vai pagar um preço muito caro que hoje eles poderiam evitar.

Esse é o grande temor que Krugman expressa em seu artigo. E deveria ser o temor de todos nós.

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