O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou hoje que a reunião dos ministros de Finanças e representantes de bancos centrais do G-20, que ocorre neste fim de semana em São Paulo, e o encontro da cúpula do G-20, na próxima semana em Washington, indicam que o mundo está na direção de um novo Bretton Woods - encontro realizado em 1944 em New Hampshire, EUA, quando foi debatido como os principais países do mundo iriam reconstruir suas economias a partir do fim da Segunda Guerra Mundial. É como se estivéssemos caminhando para um novo Bretton Woods, onde as nações discutem a nova ordem econômica mundial.

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Mantega afirmou que, a partir do encontro do G-20 na próxima semana, devem ser criadas comissões de trabalho para a apresentação de propostas sobre os vários temas que estão em discussão mundial desde o agravamento da crise global. Ele destacou, por exemplo, a necessidade de se discutir qual será o nível da reestruturação e reorganização da ordem financeira internacional e quais serão os mecanismos de regulação, fiscalização e transparência que os mercados financeiros deverão adotar no futuro. "Qual o grau de liberdade para os derivativos no mercado futuro? Como vão ser regularizados? Isso só pode ser feito em escala mundial, pois a economia está globalizada. Os países têm vasos comunicantes", afirmou.

Ao falar sobre medidas que estimulariam as economias dos países emergentes, como as relativas à política monetária, Mantega enfatizou que compete a cada país administrar a sua taxa de juros. Questionado se a taxa de juros no Japão, que está em 0,30% ao ano, não é distante dos 13,75% da taxa Selic, o ministro respondeu que a taxa de juros é determinada por vários fatores de cada economia e que um deles é o nível de inflação. "O Japão tem tradicionalmente os juros mais baixos do planeta. Nem por isso tem a economia que mais cresce. Se fossem os juros mais baixos que permitissem crescimento, a economia japonesa seria de um sucesso tremendo", afirmou Mantega.

Protecionismo

O ministro afirmou ainda que, em meio à crise financeira internacional, é preciso afastar tentativas de protecionismo por parte de países. "Isso não é bom para ninguém", afirmou em São Paulo. De acordo com ele, o melhor a fazer é manter o comércio internacional aberto e competitivo. "Se há um momento para retomar Doha é agora", disse, em referência à Rodada Doha de negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC).

De acordo com ele, está claro para o globo passa, nesse momento, por um pragmatismo mundial, cujos benefícios devem ser distribuídos para o conjunto da economia mundial. Mantega afirmou que depois do vendaval pode vir a ressaca, algo que se traduziria na contaminação da economia real. "Nosso papel é tentar arrumar um remédio contra a ressaca que virá desse vendaval", disse, admitindo, no entanto, que haverá uma redução do nível da atividade mundial e que isso repercutirá nos países emergentes, levando a uma inevitável diminuição do comércio internacional.

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