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Multinacionais emergentes surgem do novo jogo de forças global

O desenvolvimento econômico registrado pelos países emergentes nos últimos anos fez surgir um novo tipo de competidor no cenário global. São as multinacionais emergentes, que conquistam mercados e conduzem planos de expansão mundo afora, em mais um movimento que reflete o jogo de forças trazido pelos países em desenvolvimento.

Agência Estado |

O diretor executivo da indiana Tata Sons, Alan Rosling, acredita que a empresa se tornou "o melhor exemplo" desse movimento nos últimos anos. "Em 2007, 60% dos nossos negócios vieram de fora da Índia e, em 2008, o porcentual irá subir para 70%", afirmou durante o "Emerging Markets Summit 2008", realizado hoje pelo The Economist Group, em Londres.

Para o vice-presidente comercial da Qatar Airways, Ali Al Rais, as multinacionais emergentes "redefiniram o mundo". Segundo ele, em dez anos a Qatar deixou de ser uma companhia regional para se tornar um player maior, com vôos que atendem 80 destinos. "O mundo desenvolvido precisa reconhecer que há outras formas de fazer negócio", disse. "Conseguimos competir com empresas como a British Airways e a Lufthansa."

No evento em Londres, o Brasil foi representado pela Embraer. Para o presidente da empresa, Frederico Fleury Curado, a fabricante de aviões é um exemplo de multinacional emergente, pois deixou de ser uma companhia doméstica para se transformar em uma grande exportadora. Com uma fábrica na China, a Embraer vai inaugurar uma unidade em Portugal em 2010. "Aprendemos a nos tornar um player global."

Executivos acreditam que as empresas que têm origem em mercados emergentes acabam se vendo mais preparadas para enfrentar outros desafios pelo mundo. O vice-presidente para Estratégia e Desenvolvimento Corporativo da operadora de telecomunicações russa MTS, Michael Hecker, avalia que as emergentes têm vantagens, pois já estão acostumadas a atuar em ambiente de risco mais elevado, com autoridades públicas menos estáveis e também em uma situação de custos baixos. "O que surpreende as companhias de países desenvolvidos é a falta de noção sobre as dificuldades."

Para Rosling, da Tata, apesar dessas vantagens, é preciso se adaptar culturalmente aos países de atuação e se tornar, na prática, um player "local" em cada região. Hecker, da MTS, completa dizendo que não há muita diferença em atuar na Bélgica e na Holanda, por exemplo, citando dois países europeus onde o mercado de telecomunicações se comporta de forma semelhante. Mas, o "executivo emergente" precisa se moldar aos diferentes ambientes verificados em outras regiões. "É necessário ter flexibilidade e capacidade de adaptação", conclui Curado, da Embraer.

A atual crise financeira externa traz dúvidas sobre o desempenho futuro dos emergentes. Mas o sentimento dos empresários ainda é positivo. O diretor editorial e economista-chefe da Economist Inteligence Unit (EIU), Robin Bew, avalia que o crescimento econômico dos emergentes irá desacelerar, com porcentuais que não voltarão aos níveis dos últimos anos. No entanto, mesmo com velocidade menor, os emergentes continuarão avançando mais do que os países desenvolvidos. "As taxas de crescimento entre as nações desenvolvidas e em desenvolvimento seguirão bem diferentes", diz Bew.

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