Rio de Janeiro, 17 mar (EFE).- Dezenas de milhares de pessoas se manifestaram hoje na cidade do Rio de Janeiro contra a emenda que pode mudar a divisão dos royalties obtidos com o petróleo no Brasil, o que deixaria os cofres fluminenses com bilhões de dólares a menos ao ano.

Apesar da chuva que caiu durante parte da tarde de hoje no Rio, a multidão respondeu à convocação do Governo do estado e compareceu ao centro da cidade.

O protesto recebeu o apoio de partidos políticos de todas as tendências, sindicatos, grêmios petroleiros, estudantes e associações civis das mais diversas origens.

Até agora, a repartição dos royalties é proporcional à produção.

O estado do Rio é o maior beneficiado, já que quase 80% do petróleo extraído no Brasil sai da costa fluminense.

Na semana passada, a Câmara dos Deputados aprovou a mudança do modelo de divisão de lucros para que as 27 unidades da federação recebam mais dinheiro oriundo da exploração do petróleo, redistribuindo grande parte da quantia recebida atualmente pelos estados produtores.

O projeto ainda tem que passar pelo Senado e, caso aprovado, teria que passar pelas mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deu sinais de que o vetará.

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), foi o maior defensor do atual modelo de repartição e, para pressionar os legisladores, convocou a passeata de hoje e pendurou enormes cartazes nos principais pontos turísticos de Rio.

Cabral chegou a chorar em um ato público ao comentar o assunto e afirmou que a organização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 ficaria comprometida se o Rio perder o dinheiro do petróleo.

O comitê organizador dos Jogos Olímpicos de 2016 recebeu o governador e confirmou que a mudança da lei causaria problemas à organização dos Jogos.

No entanto, o Comitê Olímpico Internacional (COI) manifestou que não existe risco para os Jogos, já que o Governo federal ofereceu todas as garantias financeiras para o projeto. EFE mp/bba

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