BRASÍLIA - O empresário Eike Batista, dono de uma siderúrgica multada em mais de R$ 29 milhões pelo Ibama e de termelétricas a carvão que são alvo de pelo menos quatro ações civis públicas, foi recebido ontem com reverência e aplausos no Ministério do Meio Ambiente. Ele assinou, com o ministro Carlos Minc, três acordos em que se compromete a doar R$ 11,4 milhões para a manutenção de três unidades de conservação ambiental.

Foi chamado pelo ministro de " grande empresário " e um dos diretores do Instituto Chico Mendes, responsável pela fiscalização das áreas florestais, chegou a ensaiar (em vão) uma salva de palmas logo após o pronunciamento de Eike - os aplausos vieram poucos minutos, durante a assinatura das parcerias.

A siderúrgica MMX, em Corumbá (MS), foi multada em R$ 29,4 milhões desde dezembro do ano passado por ter comprado carvão nativo oriundo de desmatamento recente. Em junho deste ano, a usina foi novamente autuada pelo consumo de 30 mil metros cúbicos de carvão vegetal sem comprovação de origem. " Se nós cometemos um erro ambiental em uma de nossas operações, que paguemos a conta " , disse Batista. Mas ele não admite o uso de carvão ilegal e pede calma nas avaliações. " Estamos questionando (as multas). Antes temos que ser julgados " , frisou.

Em entrevista ao lado de Minc, após o ato de assinatura, Batista disse que pode até fechar as portas da MMX em Corumbá, pelas dores de cabeça que ela dá nas questões ambientais. " A única coisa que posso dizer espontaneamente é que isso causa tanta encrenca para a companhia, é tão pequeno no contexto da companhia, que vamos fechar isso. Nós somos tão grandes nas outras áreas, fazemos questão de usar tecnologia de ponta... " , afirmou. Em seguida, ao perceber a reação dos jornalistas, voltou atrás e disse que essa é só uma hipótese, uma decisão a ser tomada mais adiante. Para quando? " Vamos pensar. Quero ver o que vocês vão escrever amanhã (hoje). "
O grupo EBX financiará a manutenção de três parques ambientais. No total, eles totalizam uma área de 301 mil hectares. O primeiro, em Fernando de Noronha, receberá R$ 4,7 milhões, em infra-estrutura e manutenção do parque, por um período de dez anos. O segundo, nos Lençóis Maranhenses, receberá R$ 4,2 milhões, também por dez anos. O terceiro, na região mato-grossense do Pantanal, receberá R$ 500 mil anualmente, por cinco anos. A aplicação caberá ao Instituto Chico Mendes, mas o EBX terá um auditor para monitorar a execução dos três projetos.

Minc saudou a iniciativa, disse estar trabalhando com o setor privado e governos estrangeiros na proteção e conservação de florestas, mas fez questão de destacar que o ato é " voluntário " e não terá influência na análise de recursos de multas ou de futuros licenciamentos de empreendimentos de infra-estrutura. " Não haverá esquecimento, não haverá anistia dessas multas. Para quem quiser doar, é bom esclarecer o seguinte: não haverá favorecimento. "
(Daniel Rittner | Valor Econômico)

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