Mulheres dão charme ao evento Por Juliana Rocha São Paulo, 28 (AE) - Contrariando as estatísticas dos eventos de tecnologia, nos quais o público feminino representa entre 2% a 6% dos participantes, a Campus Party 2009 reuniu nada menos do que 2.064 mulheres - ou 32% dos campuseiros inscritos.

Eram blogueiras, programadoras, designers, mães... Todas animadas e com muita coragem para enfrentar os sete dias de acampamento no Centro de Exposição Imigrantes, em São Paulo.

Lúcia Freitas, 43 anos, era uma delas. "Em geral, as mulheres são mais cautelosas, não saem da Cochinchina sem saber quais condições encontrarão no destino", disse. Responsável pelo Luluzinha Camp, encontro de mulheres blogueiras repetido pela terceira vez durante a Campus Party 2009, ela se arriscou a vir à festa no ano passado e fez propaganda para a nova edição do evento no País.

Segundo Lúcia, não existe preconceito quanto à presença de mulheres na Campus Party, mas "rola uma invejinha". "Homens e mulheres têm maneiras diferentes de se comunicar. Nós estamos aqui nos divertindo juntas. Eles ainda não sabem como construir laços de amizade que durem além do evento."
Letícia Rostirola, 18 anos, também se sentiu à vontade pelo pavilhão. A estudante de ciências da computação escolheu a bancada dos gamers como base e disse xingar e gritar junto com os meninos. "De vez em quando rolava uma brincadeira, como ‘você até joga bem para uma menina’. Mas acho normal", afirmou.

Janine Seus, de 33 anos, era outra que estava entre amigos. A designer pernambucana aceitou um trabalho extra para conseguir o dinheiro necessário para a inscrição. "Eu queria tanto vir. Aqui pude conhecer pessoalmente amigos que tenho há anos dentro do Second Life", contou. "Só lamento que não tenham feito uma área para os multiversos, que são ferramentas maravilhosas para a educação."
Já Ana Carolina Cavalcanti, estilista de 21 anos que escolheu a bancada gamer para se acomodar, reclamou que o privilégio concedido às mulheres parar furar fila na hora de jogar Guitar Hero, por exemplo, tinha como contrapartida certa falta de reconhecimento da habilidade diante do PC. "Quando ganhava uma competição sempre ouvia que era por sorte ou porque tinham deixado, já que sou mulher." Retocando a maquiagem entre os monitores, Ana Carolina ainda observou que "alguns nerds se aproximaram como se nunca tivessem visto uma mulher na vida". Mas marmanjo não teve brecha, pois a morena de cabelos compridos e rostinho de adolescente veio para a Campus Party acompanhada.

Da mesma forma que Luciana Pires, 28 anos. Além do marido - e da máquina "tunada" com recorte para aplicação de acrílico, luzes néon e decoração em cor-de-rosa - Luciana trouxe as duas filhas: Sabrina, de 10 anos, e Raquel, de 5. As crianças logo se tornaram amigas da campuseira xodó do evento, Adrielle, de 9 anos. Filha de Eliana e Carlos Alexandre Xandely, Adrielle mostrava orgulhosa a máquina que ela mesma modificou: um desktop-cachorro em laranja e branco. Aparentando cansaço, Adrielle precisou apenas de alguns minutos deitada em dos muitos pufes espalhados pelo pavilhão para voltar a se animar e começar a brincar com Raquel e Sabrina. "Caso seja uma criança obediente e uma mãe tranquila, eu recomendo o acampamento", disse Eliana. "Tem muitos seguranças e eles até dão uma olhadinha mais atenta nas crianças." Ambas as mães registraram que os banheiros, já considerados bem melhores do que os da edição passada, ainda precisam de reformas.

As amigas de Belo Horizonte Juliana Viana, 26 anos, e Stefânia Paola, 25, também prefeririam banheiros "com espelhos e cabides para roupas". "O evento não está preparado para receber a quantidade crescente de mulheres", opinou Juliana. "No ano passado, até as cadeiras eram mais confortáveis. Acho que o aumento do espaço físico foi superior ao do investimento acarretando esses problemas."
Stefânia, outra veterana de Campus Party, ainda não se acostumou com a mudança do Parque do Ibirapuera para o Centro de Exposição Imigrantes. "Aqui nós estamos ilhados. Quem é de fora e não conhece a cidade, por exemplo, fica refém das opções de alimentação da Campus Party", disse. "E a comida aqui é muito cara."
Críticas à parte, todas pretendem voltar para o acampamento da tecnologia no ano que vem trazendo ainda mais amigas - e seu charme - novamente para a edição de 2010.

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