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Muito além da fábrica de chocolate

Alex Meyerfreund, 37 anos, nunca trabalhou na Garoto. É um dos poucos da família descendente do imigrante alemão Henrich Meyerfreund que seguiu um rumo empresarial próprio.

Agência Estado |

Sua única participação foi na venda da companhia para a Nestlé, em 2002, que até hoje é discutida na Justiça. Ele era considerado um negociador neutro - na ocasião, as duas alas da família estavam em pé de guerra, envolvidas numa disputa pública pelo controle.

Meyerfreund, então com 31 anos, morava no Rio, enquanto a família vivia em Vitória, e arriscava a sorte no mundo pontocom pós-bolha da internet e numa pequena rede de concessionárias Peugeot, bem distante da tradicional indústria de chocolates do clã. Hoje, o empresário ruivo com jeitão de garoto está envolvido (com e sem a família) em 17 negócios ao mesmo tempo - desde um "condotel" (mistura de condomínio e hotel) com 1,4 mil apartamentos em Orlando, nos Estados Unidos, a uma empresa de aviação executiva, a Colt Aviation, uma de suas mais novas aventuras.

Ele confessa não ter tempo para se dedicar a tudo. "Vou vender uma parte dos negócios e focar apenas em construção, aviação executiva e concessionárias", avisa. "Nos restaurantes, por exemplo, quase não vou. Faço uma reunião de duas horas por mês." Ele é sócio do Boox e do Banana Café, ambos no Rio. A revenda de carros é o seu maior negócio em receita. Junto com o irmão Victor, Alex comanda uma rede que deve fechar o ano com 15 lojas e receita de R$ 400 milhões. Ali, ele passa metade do seu tempo.

Mas os carros deixaram de ser hobby há alguns anos, depois que ele descobriu os aviões. "Sou um piloto domingueiro. Adoro juntar os amigos e pousar em qualquer lugar do Brasil no fim de semana", diz. "Quando eu tinha dois anos, meu pai levou o primeiro helicóptero para o Espírito Santo. Desde o início, foi uma paixão." Em 1999, comprou o próprio helicóptero. Seis anos depois, veio o jato. O avião virou negócio naquele mesmo ano, numa sociedade com o carioca Alexandre Eckmann, que já era do ramo.

A Colt começou como revendedora de aviões e desde 2007 também faz táxi aéreo. No próximo ano, estréia na área de manutenção. O projeto mais ambicioso é um hangar no Aeroporto do Galeão, no Rio. Num terreno de 36 mil m², vai ocupar uma área de 8,8 mil m². As obras estão previstas para começar em janeiro. Segundo Meyerfreund, o hangar vai consumir R$ 24 milhões quando a segunda fase da construção estiver concluída. Este ano, a Colt deve faturar R$ 28 milhões, dizem os sócios. "Por enquanto, só estamos gastando dinheiro", conta.

Depois que a família vendeu a Garoto - operação estimada em US$ 250 milhões -, os pais e os quatro filhos concentraram todos os negócios, incluindo os investimentos financeiros, na holding Aktiv. Em abril deste ano, venderam a participação de 40% que tinham numa fábrica de cacau na Filadélfia, nos EUA, por US$ 48 milhões. Com isso, deixaram definitivamente o ramo industrial para focar apenas no mercado imobiliário. A holding tem dois grandes projetos na área - um em Orlando, em andamento, e outro no interior de São Paulo, que, embora tenha sido anunciado há três anos, ainda não saiu do papel.

Em 2005, os Meyerfreund tornaram-se sócios da família Depieri (dona do laboratório Aché) em um condomínio de luxo em Itatiba, a menos de 100 km de São Paulo. O bilionário americano Donald Trump emprestaria seu nome ao lugar e, em troca, receberia royalties e participação sobre as vendas. Mas o empreendimento ainda não foi adiante. O projeto original previa 500 lotes de 5 mil m², instalados numa área de de 8 milhões de m², com dois campos de golfe e um hotel.

No meio do caminho, as duas famílias romperam com Trump. Segundo Meyerfreund, que representa a família no negócio, uma pesquisa interna detectou que a imagem do americano estava muito associada aos símbolos emergentes, como peças douradas e colunas gregas. "Trump ficou surpreso. Foi frustrante. O curioso é que no mundo inteiro, de Dubai ao Canadá, os empreendimentos que levam o nome dele são bem-sucedidos", diz Ricardo Bellino, ex-sócio e responsável por juntar as duas famílias e celebrar o contrato com Trump. "Eu não posso reclamar porque vendi e recebi a minha parte. Mas, como pai da criança, eu me surpreendi."

Apesar dos percalços, o projeto continua de pé, garante Meyerfreund. "Levamos três anos para conseguir todas as licenças. Vamos relançar em novembro, com um novo nome (Serra de Santa Clara, no lugar de Villa Trump) e com um novo sócio", revela. Segundo informações de mercado, o novo parceiro seria a Cyrela ou a Gafisa. As famílias pretendem vender 30% do negócio, que deve gerar R$ 2 bilhões em vendas (VGV). Enquanto não saía da maquete, o condomínio acabou ganhando um concorrente de peso: a Fazenda Boa Vista, da construtora JHSF, não muito distante do Serra de Santa Clara. Vão disputar os mesmos clientes.

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