Ribeirão Preto, SP, 09 - O empresário e diretor do Grupo Balbo, Jairo Balbo, afirmou hoje que a crise mundial chega a um momento delicado para o setor sucroalcooleiro brasileiro e vai frear os novos projetos de usinas no País. Muitas usinas não irão sequer sair do papel, disse Balbo, cuja companhia tem duas unidades em Sertãozinho (SP) e uma nova no Triângulo Mineiro.

Outro impacto da crise pode ser a redução na tecnologia aplicada às lavouras de cana-de-açúcar, com uma conseqüente perda de produtividade. "Muita gente vai deixar de adubar", disse. No entanto, de acordo com Balbo, o adiamento dos projetos novos e a redução na tecnologia devem impactar na oferta do açúcar e do álcool e, assim, trarão preços remuneradores ao setor produtivo. "Os preços ruins das duas últimas safras podem melhorar e dar uma liquidez aos produtores", previu.

Balbo afirmou que a alta na cotação do dólar pode não ajudar as exportações, principalmente as de açúcar, produto do qual o Brasil é o maior fornecedor mundial. "Bastou o preço do dólar subir que o exportador quer renegociar o açúcar", explicou. "Mas o cenário é melhor para o produto, já que os preços devem melhorar com a redução na oferta mundial", completou o empresário.

Balbo relatou ainda que o braço de bioenergia do grupo sucroalcooleiro assinou ontem o contrato de fornecimento de 13 megawatts (MW) com o Grupo Rede até 2024 e que a energia será colocada no sistema a partir de 2010.

A energia virá da unidade São Francisco, que recebeu investimentos de R$ 62 milhões para a ampliação da capacidade de geração de 7 MW para 23 MW. Além do Grupo Rede, a unidade fornece 3 MW para a CPFL. O preço da energia contratada não foi revelado, mas, segundo o empresário, foi acima dos R$ 158 por MW obtidos no último leilão de energia do governo federal.

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