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Mudança no compulsório não afeta política monetária

Os novos critérios para o recolhimento de compulsório pelos bancos, adotados ontem pelo Banco Central, garantem a liquidez no sistema financeiro, mas não devem provocar mudança na condução da política monetária. A garantia de que não faltarão recursos, principalmente aos pequenos e médios bancos, é em volume que não coloca em risco a calibragem da taxa de juros para conter a aceleração da inflação e está sendo adotada para compensar uma retração de crédito no mercado interno.

Agência Estado |

Com as mudanças, o BC vai injetar na economia R$ 5,2 bilhões a partir de segunda-feira e outros R$ 8 bilhões deixarão de ser recolhidos aos cofres do banco em novembro, somando um reforço na liquidez doméstica de R$ 13,2 bilhões até o fim do ano.

Trata-se de medida transitória, pois, neste momento, o mais importante para o BC é que o mercado financeiro tenha certeza de que não será contaminado pela crise que abalou os EUA e pode arrastar o mercado global para uma recessão.

Embora se considere que o cenário mais provável seja a aprovação do pacote financeiro de US$ 700 bilhões - com variações sobre maiores ou menores poderes para o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson -, a preocupação do governo brasileiro é monitorar no dia-a-dia os desdobramentos da crise e agir de forma pontual e prudencial para evitar qualquer risco ao sistema financeiro local. Na semana passada, por exemplo, atuou para suprir o mercado de dólares.

A decisão de aliviar o compulsório (parcela de recursos que os bancos devem recolher ao BC) ocorreu exatamente porque foi identificado o risco de contaminação do mercado doméstico. Isso não significa que o sistema financeiro esteja em estado de alerta, mas que, preventivamente, é melhor evitar situações conhecidas como "empoçamento" de liquidez. São situações que podem ser traduzidas no seguinte exemplo: em um momento de restrição de crédito, uma instituição financeira que é procurada por um cliente de grande porte e por um pequeno banco dará prioridade na liberação de recursos para seu cliente.

Esse exemplo é citado para contestar análises de que a medida é conflitante com a orientação da política monetária, que se traduz na elevação da taxa de juros para conter a inflação e o excesso de liquidez no mercado doméstico. É claro que a injeção dos R$ 13,2 bilhões poderá influenciar a análise dos cenários macroeconômicos na próxima reunião do Copom, em outubro. Neste momento, o que prevalece é que esses recursos estarão disponíveis para compensar eventual retração de crédito no mercado doméstico.

Trata-se de limite tênue entre o que os economistas chamam de gestão de liquidez - o que o BC está fazendo agora - e a administração da calibragem da Selic, que continua mirando a alta demanda agregada e a resistência da inflação para voltar ao centro da meta de 4,5%, definido para este e o próximo ano.

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