SÃO PAULO - O processo de convergência do sistema contábil brasileiro para o padrão internacional, conhecido como IFRS, deve trazer mudanças significativas a partir do ano que vem, quando a maior parte dos dispositivos da lei 11.638/07, que altera a Lei das S.A., estiver regulamentada.

Segundo informação divulgada pela Vale do Rio Doce em seu relatório sobre o desempenho financeiro no segundo trimestre, se a mudança na forma de contabilização das variações cambiais tivesse sido aplicada, ela aumentaria o lucro da companhia em R$ 4,655 bilhões no período de abril a junho deste ano, que passaria a somar R$ 9,228 bilhões.

A alteração na forma de se contabilizar os efeitos das variações cambiais sobre investimentos no exterior está prevista na Deliberação nº 534 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que adota o Pronunciamento contábil número 2 emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC).

Por esta nova regra, que passa a ser obrigatória a partir do balanço fechado deste ano que for publicado em 2009, os efeitos desta variação contábil passam a ser registrados no patrimônio líquido da empresa, e não afetam mais na demonstração de resultados (ou o lucro), como ocorre hoje.

No primeiro trimestre, pelo mesmo motivo, o efeito positivo no lucro da Vale seria de R$ 829 milhões. No semestre, a mudança no sistema de contabilização da variação cambial ampliaria o lucro da Vale em R$ 5,484 bilhões, que passaria de R$ 6,826 bilhões para R$ 12,310 bilhões.

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