As declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a necessidade de mudança na Lei do Petróleo repercutiram mal entre acionistas da Petrobras e analistas que cobrem o setor. Pequenos acionistas da empresa já ameaçam recorrer à Justiça, caso a criação de uma nova estatal para gerir os ativos da camada do pré-sal, localizada abaixo do leito marinho, prejudiquem seus investimentos.

Ontem, na conferência realizada pela diretoria da Petrobras para divulgação dos resultados financeiros, na sede da empresa, no Rio, houve protestos de analistas e investidores em relação à decisão. Alguns acionistas chegaram a convocar um "levante judicial" para evitar prejuízos. Referindo-se aos comentários do presidente Lula, de que o petróleo no pré-sal não seria da Petrobrás, mas do povo brasileiro, ao menos dois integrantes da platéia conclamaram outros participantes a se manifestar contra a apropriação do petróleo descoberto pela companhia.

Os dois fizeram coro às declarações do presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec-Rio), Luiz Fernando Lopes Filho, que chegou a propor um recurso ao Supremo Tribunal Federal. "Tem gente, inclusive da própria oposição ao governo, comungando com isso, que devemos aproveitar esses recursos extraordinários para investir em educação. Há um complô formado para isso", disse, ressaltando que "a Petrobras sabe defender bem seus acionistas e deve sair uma solução que agrade a todos".

Exaltado, o acionista Gilberto Esmeraldo argumentou que, pelas declarações do presidente Lula anteontem, "a decisão da comissão interministerial já está tomada". "Infelizmente, deverá ser aprovada a criação da estatal, mesmo contra o voto corajoso de Gabrielli (presidente da estatal). Não podemos fazer mais nada", disse Esmeraldo ao diretor da área financeira da Petrobras, Almir Barbassa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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