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MST vê agronegócio como alvo nas comemorações de 25 anos

São Paulo - A reforma agrária no Brasil nunca se fez nem se fará em mesas de negociações, mas sim por meio invasões de terras. Essa é uma das principais conclusões dos líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) nas avaliações que estão fazendo sobre os 25 anos de fundação da entidade, comemorados nesta semana.

Agência Estado |

"Só a luta salva", disse ontem em São Paulo, em entrevista coletiva, Marina dos Santos, integrante da coordenação nacional e porta-voz do movimento. "Mais de 70% dos assentamentos existentes no País surgiram da ocupações de propriedades. Não teríamos tido esse resultado em mesas de negociações."

A líder dos sem-terra também disse que 1% dos proprietários rurais detêm 46% do total de terras agricultáveis. "Em termos de concentração de terras, somos o segundo pior país do mundo", continuou. O primeiro seria o Paraguai.

Outra conclusão do MST, no balanço dos 25 anos, é a impossibilidade de convivência entre agronegócio e pequena propriedade - que inclui tanto a agricultura familiar tradicional, quanto assentamentos da reforma agrária. Isso equivale a dizer que um deve destruir o outro.

"Vamos intensificar o combate ao agronegócio", anunciou João Paulo Rodrigues, que também integra o quadro de dirigentes nacionais do MST. De acordo com sua exposição, o agronegócio favorece a concentração de terras, o desmatamento e o uso intensivo de agrotóxicos, além de ampliar as áreas de monoculturas - como a cana, a soja e o eucalipto. A reforma agrária, por sua vez, aumentaria o número de pequenos proprietários, estimularia a produção de alimentos e criaria mais chances de emprego.

A direção nacional do MST reúne-se a partir de hoje em Sarandi, no Rio Grande do Sul, para definir suas ações para este ano. A reunião será a portas fechadas. No sábado, eles se encontrarão com convidados do Brasil e do exterior para a festa dos 25 anos. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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