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Moscou e Kiev trocam acusações por fracasso em retomar fornecimento de gás

Bernardo Suárez Indart. Moscou, 13 jan (EFE).- Rússia e Ucrânia acusaram-se mutuamente hoje pelo fracasso na retomada do fornecimento de gás russo à Europa, após seis dias de total interrupção que afetaram gravemente os consumidores europeus, especialmente os dos países balcânicos.

EFE |

Tudo parecia ir por um bom caminho quando, como havia anunciado, a empresa estatal de gás russa Gazprom ordenou, às 10h de Moscou (5h de Brasília) a retomada do transporte de gás e 15 minutos depois a estação de Sudzha na fronteira com a Ucrânia, começou a bombear o gás rumo a o país vizinho.

A televisão russa mostrou imagens de como um funcionário da Gazprom dividia as instruções para retomar o fornecimento, que Moscou considerava "de teste", antes de restabelecer plenamente a passagem do gás à Europa.

A Gazprom previa injetar hoje 76,6 milhões de metros cúbicos gás no sistema de transporte ucraniano para os consumidores dos Bálcãs, da Moldávia e da Turquia.

A Rússia advertira que a retomada do abastecimento pela Ucrânia, por onde passa cerca de 80% do gás que vende à Europa, seria paulatina e dependeria de que seu volume chegasse integralmente aos consumidores.

Mais de duas horas já haviam se passado desde o começo da retomada do bombeamento, quando o vice-presidente da Gazprom, Aleksandr Medvedev, afirmou que a Ucrânia tinha bloqueado o trânsito das provisões.

"Não podemos ir contra a física: se o sistema está fechado não podemos fornecer gás", disse Medvedev, citado pela agência oficial russa "Itar-Tass", após afirmar que a Ucrânia "não abriu o gasoduto para o trânsito", jogando a responsabilidade sobre a parte ucraniana.

Enquanto isso, em Kiev, a estatal de gás ucraniana Naftogaz respondeu que o fornecimento não foi retomado porque a Gazprom organizou-o de maneira a seu trânsito paralisar o abastecimento de combustível em quatro regiões ucranianas.

A Naftogaz indicou que a rota escolhida pela Gazprom para retomar o bombeamento aos Bálcãs era diferente da habitual e requeria cortar a provisão interna às regiões ucranianas de Lugansk, Donetsk, Odessa e, parte de Dnepropetrovsk.

"É por isso que o gás não circula para retomar o trânsito à Europa. O combustível chegou a Sudzha (estação de bombeamento russa na fronteira com a Ucrânia), mas nós não podemos abrir a torneira", disse à imprensa o chefe da Naftgaz, Oleg Dubina.

Pouco antes, o representante da Presidência ucraniana para a Segurança Energética, Bogdan Sokolovski, havia assegurado que o modo escolhido pela Gazprom para retomar o abastecimento de gás era uma "provocação", pois demanda uma "tarefa tecnicamente impossível".

Dirigentes europeus, russos e ucranianos começaram consultas telefônicas urgentes para esclarecer a situação após o novo capítulo da guerra do gás entre Moscou e Kiev.

Há seis dias, em 7 de janeiro, com a aprovação do Governo russo, a Gazprom cortou totalmente a passagem de gás para Europa através da Ucrânia, após afirmar que o combustível era roubado no país de passagem.

Segundo as autoridades ucranianas, o gás denunciado como roubado por Moscou é o que se emprega para garantir seu bombeamento através da rede de gasodutos da Ucrânia.

Esse argumento foi rejeitado pela Rússia, alegando que os contratos de passagem estipulam que o denominado gás tecnológico, necessário para manter a pressão nos encanamentos, é fornecido pela Ucrânia.

A retomada parcial do fornecimento de gás russo à Europa deveria acontecer hoje graças à assinatura na véspera de um acordo entre Rússia, Ucrânia e União Européia que estabeleceu um mecanismo de controle internacional sobre o trânsito do combustível pelo território ucraniano.

As autoridades russas haviam anunciado que restabeleceriam totalmente o fornecimento, uma vez que os monitores internacionais confirmassem que o volume do gás que sai dos gasodutos ucranianos é o mesmo que a Gazprom bombeia na fronteira com a Ucrânia.

Ontem, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, ameaçou que, caso que Ucrânia empregue parte do gás destinado à Europa para garantir seu trânsito, a Gazprom reduzirá as remessas aos consumidores europeus nesse mesmo volume. EFE bsi-bk/jp

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