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Morgan Stanley vê forte desaceleração e não descarta recessão no país

SÃO PAULO - A economia brasileira deve desacelerar de forma mais acentuada do que o esperado, avalia o Morgan Stanley. O conselho do banco de investimento para seus clientes é: esteja preparado para uma parada súbita e mais conversas sobre recessão.

Valor Online |

Em relatório assinado por Marcelo Carvalho, o banco estrangeiro prevê uma severa recessão global em 2009, com crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial abaixo de 2%. E tal taxa de crescimento também deve ser observada no Brasil. "O viés em torno da nossa previsão é de baixa. E não podemos descartar leituras próximas de zero."

O Morgan Stanley acredita que o Brasil pode entrar em recessão técnica (dois trimestres consecutivos de PIB negativo) nos próximos trimestres. "Suspeitamos que o debate local nos próximos três a seis meses envolverá se o Brasil já está em recessão e como sair dela", afirma o banco, acreditando, também que as palavras "Brasil" e "recessão" começarão a aparecer juntas mais vezes na imprensa local.

Pelo último boletim Focus, do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira, as projeções de PIB para 2009 caíram de 3%, para 2,8%. Mas vale lembrar que alguns membros do governo ainda enxergam crescimento de 4%.

Para fazer suas previsões, o banco leva em conta uma série de variáveis. Uma delas é o histórico de crescimento do país. O Morgan Stanley lembra nos anos anteriores a 2003, o crescimento mundial esteve entre 2% e 4% e o crescimento brasileiro variou entre 0 e 3%.

 Depois, quando os anos de abundância tomaram conta e o crescimento mundial pulou para 4% a 6%, o Brasil avançou entre 3% e 6%. "Conforme a economia desacelera, a performance brasileira deve recuar também."


O banco aponta que o país deve ser afetado pela reversão de ciclo econômico, que era composto pelo forte crescimento mundial, commodities com preço recorde e elevado fluxo de capitais. Este quadro também contribuiu para valorização do real e o controle da inflação, o que facilitou o trabalho do Banco Central, que pôde estimular a demanda doméstica via taxas de juros menores.

Agora, a taxa de juros deve permanecer elevada, a acumulação de reservas internacionais deve parar, com o BC gastando dólares, e os preços das mercadorias exportadas pelo país, que vinham aumentando a taxa de dois dígitos ao ano, devem cair acentuadamente. Além disso, o crescimento do crédito deve recuar significativamente.

O banco também aponta que os dados do PIB referentes ao terceiro trimestre mostrarão que a economia brasileira vinha crescendo forte até então, destoando de outros países. Mas essa divergência em termos de crescimento deverá durar pouco. "Estamos apenas começando a ver a desaceleração do Brasil em termos de dados econômicos."


Dando suporte à expectativa de forte retração já contratada, o banco aponta condições de crédito mais apertadas, queda acentuada na confiança do empresariado e do consumidor, férias coletivas na indústria automobilística e planos de produção revistos para baixo.

Essa mudança de cenário mundial também atingirá o mercado de ações. Segundo o estrategista do Morgan Stanley, Vinicius Silva, o crescimento do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) das empresas brasileiras deve cair da média de crescimento de 20% ao ano para 2,6%.

Com isso, o lucro por ação também será afetado, só que forma mais dramática. O banco vê um colapso do crescimento de 40% no lucro por ação ao ano, em média, para um resultado negativo de 8,7%.

 

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