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O esforço de impor uma moratória ao comércio internacional do atum-azul - o maior, mais valioso e mais saboroso de todos os atuns - naufragou ontem em Doha, no Catar, onde 175 países discutem regras para a exportação e importação de espécies ameaçadas de extinção. A proposta, capitaneada pela diplomacia de Mônaco, foi derrotada pelo bloco de nações pesqueiras, liderado pelo Japão.

Uma votação preliminar terminou em 68 contra 20, com 30 abstenções. O Itamaraty não quis comentar qual foi o voto do Brasil. Trata-se de um dos temas mais polêmicos na agenda da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (Cites), que se reúne em Doha até o dia 25. Ambientalistas lamentaram o resultado.

"Vamos pegar a ciência e jogá-la pela janela", disse Susan Lieberman, diretora de Política Internacional do Pew Environment Group, referindo-se a estudos que indicariam um colapso das populações da espécie. "Esse peixe é valioso demais para o próprio bem."
No ano passado, um atum-azul de 200 quilos foi vendido por US$ 220 mil. O especialista Fabio Hazin, da Universidade Federal Rural de Pernambuco, que está em Doha, concordou com a votação. "Embora seja sobrepescada, a espécie não está em risco de extinção", disse ao Estado. Por isso, segundo ele, o controle da pesca deve ser feito pela Comissão Internacional para a Conservação de Atuns do Atlântico (ICCAT), e não pela Cites.

O atum-azul é um peixe migratório que ocorre principalmente no Atlântico Norte e no Mediterrâneo - mas é consumido principalmente no Japão, na forma de sushis e sashimis. A espécie não passa por águas brasileiras e dificilmente aparece nos restaurantes daqui, que servem outros tipos de atum.

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