SÃO PAULO - A agência de classificação de risco norte-americana Moodys disse hoje que a condição financeira dos Estados Unidos deve piorar consideravelmente nos próximos dois anos, como consequência dos pacotes de estímulo econômico e de salvamento do sistema financeiro. Os comentários foram feitos em um relatório sobre a dívida daquele país, que a agência faz questão de ressaltar que não se trata de uma análise de rating, que segue em AAA - o mais alto da sua escala - para o Tesouro dos EUA, com perspectiva estável. O fato é que com o crescente endividamento do governo dos EUA, alguns agentes começam a se questionar sobre até quando a dívida emitida pelo país mais rico do mundo seguirá com a melhor nota de risco. A agência menciona que o governo encerrou o ano passado com um total de US$ 5,8 trilhões em dívida em poder do público, ou 40% do PIB, mas reconheceu que a relação entre o endividamento e o PIB, bem como a razão entre a dívida e a receita do governo, devem crescer para níveis altos para um país com rating AAA. A agência calcula que, ao final de 2010, a dívida dos EUA estará em US$ 9 trilhões, o equivalente a 62% do PIB.

Na comparação com a receita, o índice da endividamento vai subir de 230% em 2008, para 378% no fim de 2010. "Neste período, no entanto, a maior dos outros governos com rating AAA também verão suas medidas de dívida se deteriorar", ressalva Steven Hess, vice-presidente sênior da área de crédito da agência.

Ao mesmo tempo, a Moody's destacou que em 2010 ou depois, as taxas de juros estarão quase com certeza maiores que as atuais, o que deve piorar as condições de pagamento da dívida.

Ao comentar sobre a compra de ações preferenciais e outros títulos ligados à Fannie Mae, Freddie Mac, e de bancos socorridos por meio do plano TARP, a Moody's afirma que é difícil fazer uma análise precisa sobre o impacto real na situação financeira do governo, já que trata-se de compra de ativos, com os quais o governo poderá realizar perdas ou ganhos no futuro.

Do lado positivo, a agência reforça que os "fundamentos estruturais, a estabilidade política, e uma projeção ainda favorável para a economia no ambiente pós crise dão suporte à previsão de estabilidade para o rating dos EUA".

(Valor Online, com agências internacionais)

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