São Paulo, 2 - As dificuldades de captação de recursos por parte das empresas do setor não financeiro na América Latina cresceram ao longo do ano, o que faz com que mais de 40% das companhias que emitiram títulos na região enfrentem uma situação de liquidez fraca nos próximos 12 meses. Essa é a avaliação da Moody´s Investors Services, em seu relatório sobre Finanças Corporativas referente ao terceiro trimestre, divulgado hoje.

No terceiro trimestre de 2007, apenas 17% das companhias emissoras de títulos enfrentavam uma situação mais complicada de captação de recursos (funding).

"Acreditamos que os mercados internacionais ilíquidos, as margens mais fracas e as necessidades mais elevadas de investimentos em capital estão, em conjunto, contribuindo para esse perfil mais fraco de liquidez", pondera o diretor sênior de crédito da Moody´s em Nova York, Alexander Carpenter, e outros três analistas de sua equipe.

O Brasil é o país que abriga o maior número de empresas emissoras de títulos que receberam ratings de agências de classificação de risco da América Latina. São 64 companhias nessa situação, o que corresponde à metade do total de companhias emissoras na região. Segundo a Moody´s, com base em dados de 30 de junho, as companhias brasileiras tinham US$ 30 bilhões em dívidas com vencimento de curto prazo e US$ 52 bilhões de posição de caixa e ativos negociáveis.

Entre julho e setembro, a Moody´s promoveu 19 ações positivas de ratings e apenas nove ações negativas. A relação de 2,1 de ações positivas para cada ação negativa é maior do que a relação de 1,6 para 1 observada no segundo trimestre deste ano, mas está muito abaixo do nível de 4,6/1 de 2007. "Os ratings positivos refletem, no geral, a habilidade da maioria dos emissores de continuar tendo acesso a captações junto a bancos domésticos e no mercado de capitais, além do impacto relativamente limitado, até o momento, do esfriamento econômico global sobre a expansão econômica regional", destacam os analistas da agência de classificação de risco.

(Patricia Lara)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.