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SÃO PAULO - Embora não veja um cenário de bolha de crédito no Brasil, a agência de classificação de risco Moody's alerta para a possibilidade de excessos na concessão de empréstimos no país. "A luz está amarela.

O sistema é sólido, mas existe a preocupação com o ânimo exacerbado, que pode gerar distorções", disse a vice-presidente sênior da Moody's, Maria Celina Vansetti-Hutchins. Em sua avaliação, a concorrência entre os bancos gera o risco de complacência e, por isso, o setor precisa ser monitorado com cuidado. "Dizem que a crise criou traumas inesquecíveis, mas não tenho tanta certeza disso", afirma. Para Maria Celina, o comprometimento de 22% da renda dos brasileiros não pode ser considerado baixo. A vice-presidente sênior da Moody's argumenta que as classes de menor poder aquisitivo, que até pouco tempo atrás não tinham acesso ao consumo, agora estão sendo incentivadas a comprar. "Exageros poderão ser cometidos. É a história da criança que nunca foi numa loja de doces e, quando tem oportunidade, se lambuza", exemplifica. "A questão é: será que não estamos crescendo rápido demais e caminhando para uma bolha?" Maria Celina destaca que já é possível perceber uma leve tendência de alta na inadimplência. Por enquanto, as perdas do sistema financeiro são de 6% do crédito concedido. Para se chegar a um cenário de estresse como o da Europa, esse percentual teria de saltar para 13%. Só teríamos uma bolha, segundo Maria Celina, se a inadimplência batesse os 20%. Para os próximos seis meses, a perspectiva da Moody's para o sistema financeiro brasileiro é de estabilidade, com manutenção da rentabilidade dos bancos. As instituições financeiras no Brasil, de acordo com Maria Celina, estão bem capitalizadas, têm crédito de boa qualidade e são conservadoras. "O nível de capital dos bancos é suficiente para aguentar um tranco bem forte", avalia. Além disso, destaca a vice-presidente sênior da Moody's, a criação de empregos formais contribui para o desenvolvimento do setor. "E a exposição a moeda estrangeira do sistema bancário brasileiro é invejável", complementa. As novas regras colocadas pelo acordo de Basileia III, na opinião de Maria Celina, não provocarão grande impacto no Brasil. "Já há no sistema brasileiro um certo conforto, não só no que diz respeito a capital, mas também no que se refere a liquidez", afirma. (Francine De Lorenzo | Valor)

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