Com o mercado batendo recorde de vendas, apesar do aumento das taxas de juros, a indústria automobilística prepara sete lançamentos para este mês, três deles de carros nacionais e quatro importados. O mercado também aguarda, para o fim da próxima semana, o anúncio da produção de dois novos automóveis no País, um da Renault e outro da Nissan.

O próprio presidente mundial do grupo, o brasileiro Carlos Ghosn, virá ao Brasil para detalhar os projetos, ambos para a fábrica de São José dos Pinhas (PR).

Embaladas pelo aumento de 30,4% nas vendas este ano, que totalizam até julho 1,695 milhão de veículos e com a projeção de que no ano todo será superada a marca de 3 milhões de unidades, as montadoras seguem apostando no Brasil, diante de resultados fracos nas matrizes americanas e européias.

No dia 22, num evento em Curitiba (PR), Ghosn anunciará a produção de um novo carro da Renault, provavelmente o substituto do Clio. Também a produção do primeiro automóvel da Nissan no País, a partir de 2009. A marca japonesa, que produz no País picapes e utilitários esportivos, inicia este mês a importação do novo X-Trail, em substituição ao atual. A empresa também iniciou a produção local da Nova Frontier, que deixará de ser importada da Tailândia. A data para início das vendas não foi revelada.

Entre as novidades nacionais está o Citroën C3, uma reestilização do modelo lançado em 2003. Com mudanças externas na grade, pára-choque, rodas e faróis, além de detalhes internos, o C3 agrega novas tecnologias como suspensão que permite direção mais confortável e mais macia, segundo informa a empresa. O preço atual, a partir de R$ 41.590, será mantido.

O C3 vendeu este ano 21.414 unidades, um aumento de 38% em relação a igual período de 2007. O segmento em que o modelo atua, dos compactos premium, cresceu 72%, para 186.578 unidades. Outra novidade nacional é o Ka Tecno, o primeiro modelo da Ford com sistema de conectividade, numa parceria que a montadora fez com a Visteon, que fornecerá o aparelho de rádio com Bluetooth e entrada para tocadores eletrônicos. Custará a partir de R$ 31.790 na versão 1.0.

A Fiat também apresenta, sexta-feira, a nova picape Strada, com reestilização de design e mecanismo que facilita ações como sair de um atoleiro. A tendência também é de manutenção de preços. O modelo é líder em vendas no segmento de picapes pequenas, mas perdeu espaço para as concorrentes. No ano passado, detinha 56,7% das vendas e hoje tem 46,7%.

Entre os importados, além do utilitário X-Trail, da Nissan, as novidades para este mês são a chegada do Captiva, também utilitário que a General Motors trará do México, e a Dodge Journey, da mesma categoria, com preços acima de R$ 100 mil.

Na categoria luxo, a Audi iniciará as vendas no novo A4, que chega com tecnologias como faróis de LED (permite melhor luminosidade), sistemas de regulagem de suspensão, marchas e direção e sensor que avisa da aproximação do veículo da frente. Lançado na Europa este ano, deve chegar ao País com preços entre R$ 160 mil a R$ 230 mil, na versão mais completa.

O mercado de carros importados cresceu 64,4% no primeiro semestre, para 175.167 unidades e representa 12,4% das vendas totais do País. Favorecidas pelo dólar baixo, montadoras e importadores independentes ampliam as importações, que devem encerrar o ano com crescimento de 49,8%, com um total de 415 mil veículos, segundo projeções da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Mês recorde

Em julho, a indústria manteve fôlego ao registrar o melhor mês de vendas da história, com 288,1 mil veículos, incluindo caminhões e ônibus, resultado 12,6% melhor que o de junho e 32,6% superior ao um ano atrás.

Para o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira, a alta dos juros não inibe o consumo porque os prazos para financiamento continuam longos. "Não é o juro que influencia a decisão de compra, mas se a prestação cabe no bolso." Os bancos mantêm prazos de até 72 meses para carros novos. Segundo Oliveira, a última elevação da Selic, de 0,75 ponto porcentual, representa acréscimo de R$ 8 na prestação mensal de um carro popular, na faixa de R$ 25 mil.

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