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Montadoras jogam suas fichas no carro movido à energia

DETROIT - Em meio à maior crise da sua história, a indústria automobilística americana deu ontem o pontapé para fazer o consumidor americano andar em carros elétricos daqui a um ano. O presidente da General Motors (GM), Rick Wagoner, anunciou ontem, no segundo dia de apresentação do salão de Detroit, a a construção da primeira fábrica de baterias para veículos no estado de Michigan, sede da companhia nos Estados Unidos.

Valor Online |

As células das baterias da GM serão fornecidas pela LG Chem, do grupo coreano de produtos eletrônicos. O primeiro carro elétrico do mercado que a GM quer lançar no final de 2010 terá autonomia de apenas 64 quilômetros, depois de uma carga de três horas em uma tomada de 240 volts.

Jon Lauckner, vice-presidente da companhia responsável pelo projeto desse carro, chamado Volt, disse ao Valor que 60 quilômetros é a média que o americano percorre diariamente.

O preço do veículo é ainda uma incógnita. Mas a indústria automobilística já conta com os bônus prometidos pelo governo. Segundo Lauckner, o consumidor que comprar um carro elétrico vai ganhar um desconto no Imposto de Renda que variará de US$ 4 mil a US$ 7,5 mil. Ele diz que no caso do Volt, o abatimento chegará a US$ 7,5 mil.

Além da fábrica de baterias, Wagoner também anunciou ontem a construção do maior laboratório de pesquisa do produto do mundo, que também será construído no estado de Michigan. A instalação terá 3,25 mil metros quadrados. Além disso, a GM também fechou um acordo com a tradicional Universidade de Michigan para a criação de um curso específico de engenharia em baterias.

A indústria automobilística está, portanto, criando até uma nova especialização profissional para fazer o carro que não depende de gasolina funcionar. Mas está numa encruzilhada porque o interesse pelo carro movido a baterias cai à medida em que o preço do petróleo cai. "Se o valor do barril continuar baixo será um problema para o projeto do carro elétrico", afirma Lauckner.

Mas como essa indústria também tem um compromisso com o governo de direcionar a mobilidade para produtos menos agressivos ao meio ambiente, todos crêem estar no caminho certo.

Lauckner lembra, porém, que há um longo caminho a percorrer. O carro elétrico será lançado num grau de desenvolvimento tecnológico muito abaixo dos modelos que hoje usam combustível fóssil. Falta ainda reduzir preço e peso das baterias, o que só pode vir por meio da produção em alta escala, como nos aconteceu com notebooks, compara Lauckner.

"Precisaremos dos mesmos cem anos que levamos para desenvolver o carro de hoje para ter um no mesmo nível movido a eletricidade", afirma o executivo.

Mas, na primeira fase - entre 2010 e 211 - os carros movidos a eletricidade serão uma novidade apenas para americanos, japoneses e parte dos europeus experimentarem. Os projetos desses veículos são sofisticados. Por isso, países emergentes como o Brasil estão excluídos. Segundo Jim Press, presidente mundial da Chrysler, em algum momento os países emergentes também receberão carros elétricos. "Não podemos deixá-los de fora porque é neles que o mercado cresce", disse.

A Toyota apresentou ontem, no salão do automóvel, a terceira geração do Prius, o carro híbrido (movido a gasolina e eletricidade) que se tornou a vedete desse segmento. O Prius foi lançado em 2000 e 1,4 milhão de unidades já foram vendidas em todo o mundo. O Prius representou metade das vendas de veículos híbridos no ano passado.

Segundo pesquisa da consultoria J.D.Power, nos Estados Unidos 62% dos consumidores de novos veículos estão considerando a compra de um modelo híbrido. No ano passado, 50% dos entrevistados haviam citado a intenção de ter como próximo automóvel um que funciona também com baterias.

(Marli Olmos | Valor Econômico)

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