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Montadoras dos EUA suplicam ajuda diante de Congresso incrédulo

María Peña. Washington, 19 nov (EFE).- Os dirigentes das chamadas Três grandes de Detroit repetiram hoje, perante um Congresso cético, suas previsões de um descalabro econômico caso não se aprove, em breve, um plano de US$ 25 bilhões que contenha a crise de liquidez do setor automotivo.

EFE |

Em uma frente unida, os presidentes da General Motors (GM), Rick Wagoner, da Chrysler, Robert Nardelli, e da Ford, Alan Mullaly, reiteraram hoje que estão em jogo milhões de empregos, todos dependentes do setor automotivo.

Durante uma audiência da Comissão de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes, as montadoras explicaram que não se trata de um "resgate", mas sim de um "empréstimo" que permita cumprir com suas obrigações e que, em todo caso, pagariam com mais juros.

Os três repetiram seus testemunhos de terça-feira perante a Comissão de Bancos do Senado, ao afirmar que, a longo prazo, seria mais barato aprovar esse empréstimo invés de enfrentar o que seria o enorme "custo humano" do colapso do setor.

"Nossa indústria precisa que nos estendam uma ponte perante o abismo financeiro que abriu para a gente", afirmou Wagoner, ao destacar que o dinheiro seria usado para as operações, provisões, salários e benefícios para os trabalhadores e aposentados, além de pagamento de impostos locais e estaduais.

Wagoner enumerou as medidas adotadas pela GM para sua viabilidade a longo prazo, e reiterou que a precária situação do setor não se deve a um "fracassado" modelo, como denunciam seus críticos, mas sim à crise financeira global.

Segundo ele, a crise restringiu o crédito e reduziu as vendas na indústria a seu nível per capita mais baixo desde a Segunda Guerra Mundial.

Para ele, os "custos sociais" da derrubada do setor seriam "catastróficos": a perda de três milhões de empregos no primeiro ano, uma redução das rendas pessoais de US$ 150 bilhões, e a perda de arrecadação de impostos de mais de US$ 156 bilhões em mais de três anos.

Calcula-se que cerca de cinco milhões de empregos dependem do setor, e seu colapso, além disso, afetaria a confiança dos negócios e consumidores.

"Sem esse apoio imediato, a liquidez da Chrysler cairia abaixo do nível necessário para manter as operações", advertiu Nardelli, cuja empresa é a única das três não cotada em bolsa.

Segundo Nardelli, uma quebra seria "devastadora", mas uma ajuda do Congresso permitiria que a Chrysler continuasse a cobertura médica e pensões dos aposentados, o pagamento de salários e dos abastecedores, além de outras despesas operacionais.

Nardelli disse que a Chrysler é uma empresa genuinamente americana, já que nos EUA se gera 73% de suas vendas, 61% de sua produção automobilística, 74% de sua força de trabalho e 62% de suas concessionárias.

Já Mulally pediu ao Congresso que fizesse "parte da solução" para a recuperação do setor e defendeu as medidas de reestruturação da Ford para sua transformação "agressiva" Ao seu lado esteve hoje de novo o presidente do Sindicato de Trabalhadores da Indústria Automotiva, Ron Gettelfinger, que disse ser necessária uma "ação imediata", já que "o colapso de Detroit" teria "conseqüências devastadoras" para todos.

Os executivos também têm o apoio de democratas como o legislador Sander Levin. "Não podemos sair daqui e ver fraturar a coluna vertebral" da economia, disse.

Porém, as súplicas do setor não convencem nem a Casa Branca nem seus aliados no Congresso, que rejeitam a idéia democrata de que a ajuda sairia dos US$ 700 bilhões aprovados, no mês passado, para resgatar Wall Street.

No entanto, os democratas em ambas as câmaras do Congresso impulsionam medidas para dar empréstimos de até US$ 25 bilhões ao setor, acima de um número idêntico aprovada em setembro para fomentar a fabricação de carros que consumam menos combustível.

Spencer Baucus, principal republicano de maior nessa comissão, descreveu o clima político de maneira sucinta. "O povo americano está cansado dos resgates", disse.

No entanto, a fadiga da opinião pública de ajudar o setor privado mais uma vez não freia o ímpeto dos democratas, que prometeram continuar fazendo pressão pelo resgate de Detroit a todo custo. EFE mp/rr

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