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Montadoras de veículos no Brasil já superaram vendas de 2003

SÃO PAULO - A indústria automobilística bateu mais um recorde e os resultados de vendas continuam a surpreender os próprios dirigentes das montadoras. As vendas no acumulado do ano já são superiores ao total de carros vendidos em 2003. O mês passado foi o melhor junho de toda a história do setor e o segundo melhor desempenho mensal no mercado interno. Os índices acumulados na primeira metade do ano indicam que a expectativa dessa indústria, de crescer em torno de 20% este ano, poderá ser superada. As vendas acumuladas no primeiro semestre somaram crescimento de 30%.

Valor Online |

Em apenas um mês, em junho, 256.031 veículos passaram pelos órgãos de trânsito para emplacamento, o que representa um crescimento de 28,8% na comparação com o mesmo período de 2007. O total de veículos vendido nos primeiros seis meses do ano foi de 1,407 milhão de unidades, o que equivale a um avanço de 30% na comparação com o primeiro semestre de 2007. A diferença entre o acumulado nos primeiros seis meses de 2007 e o de igual período este ano chega a 324,8 mil veículos. Isso equivale dizer que a indústria automobilística comercializou, no último semestre, um volume extra de quase um mês e meio de vendas ao ritmo do ano passado. É como se a Fiat, líder de mercado, tivesse vendido seu volume duas vezes no mesmo semestre.

O mês passado teve o mesmo número de dias úteis do anterior. Foram 19 dias em maio e em junho. Mesmo assim, a demanda mostrou ainda mais fôlego em junho e expôs um mercado alheio ao aumento da taxa básica de juros. Com a mesma quantidade de dias úteis, em junho foram vendidos 14 mil veículos mais do que no mês anterior.

Na última revisão das previsões, os dirigentes da indústria automobilística passaram a contar com expansão em torno de 20% no mercado este ano. As montadoras acreditavam que os índices de crescimento tenderiam a baixar no segundo semestre porque o ritmo de vendas na segunda metade de 2007 foi mais intenso do que na primeira metade de 2008. Mas agora já se cogita a possibilidade de rever as projeções mais uma vez.

Ao mesmo tempo, há receio de que a cadeia de suprimentos das montadoras não consiga acompanhar o ritmo das linhas. Dirigentes de compras dos fabricantes de veículos já demonstraram preocupação com o fato de as fábricas de autopeças estarem trabalhando 24 horas por dia ininterruptamente.

A demanda por automóveis puxa boa parte do crescimento. Mas o desempenho em caminhões também tem surpreendido. De janeiro a junho foram vendidos 57 mil caminhões, uma alta de 29,7% na comparação com o primeiro semestre do ano passado. A marca italiana Iveco foi o destaque no período. O volume de emplacamentos dos veículos da marca registrou um crescimento de 131%. Em decorrência disso, a participação da Iveco no mercado brasileiro passou em um ano de 4,2% para 8,8%.

No segmento de carros de passeio, a vantagem de um dólar mais baixo beneficiou as marcas importadas. A participação da Mercedes-Benz, uma das empresas que mais vende importados de luxo, ultrapassou a fatia de Nissan, Mitsubishi e Hyundai, que têm fábricas no Brasil. A Mercedes ficou no primeiro semestre com 1,9% das vendas de automóveis e comerciais leves, seguida por Hyundai (1,5%), Mitsubishi (1,4%), Nissan e Kia. A marca coreana Kia, com participação de 0,6%, quase encostou na Nissan (0,7%).

A Fiat manteve a liderança, com 23,9% do mercado brasileiro de veículos leves - 335,8 mil unidades -, seguida por Volkswagen (22,1%), GM (20,4%) e Ford (9,7%). Entre as mais novatas, graças ao lançamento de modelos como Sandero, a Renault assumiu a frente, com 4,2%, seguida por Honda (3,9%), Peugeot (2,9%), Toyota (2,5%) e Citroen (2,4%).

(Marli Olmos | Valor Econômico)

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