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Ministros do G20 pedem mais espaço a emergentes no sistema financeiro

São Paulo, 9 nov (EFE) - Os ministros das Finanças e presidentes dos bancos centrais do Grupo dos Vinte (G20) defenderam hoje em São Paulo uma reforma da arquitetura financeira internacional que dê mais espaço aos países emergentes e uma resposta coordenada à crise mundial.

EFE |

Os ministros, que durante dois dias analisaram a conjuntura internacional em São Paulo, deixaram, no entanto, para os líderes do Grupo, que se reunirão em Washington no próximo sábado, a tarefa de definir propostas para combater a crise e evitar que essa se repita.

Para isso, apostaram em uma maior regulação dos mercados financeiros.

"Há um consenso quanto a que precisamos de ações e vontade de trabalhar em conjunto", disse em entrevista coletiva o secretário de Finanças do Tesouro do Reino Unido, Stephen Timms.

Segundo ele, "a economia mundial enfrenta um choque sem precedentes", razão pela qual ressaltou a necessidade de estabelecer "ações urgentes" para o setor financeiro, apontado como o responsável pela crise, por "buscar alta rentabilidade sem prestar atenção aos riscos".

A idéia de aumentar os controles sobre o sistema financeiro foi defendida durante a reunião pela maioria dos países representados, mas não houve uma proposta concreta nesse sentido para ser levada à cúpula de Washington.

"Os países que representam mais os interesses do setor financeiro serão mais resistentes a uma fiscalização mais rígida", afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Em referência aos Estados Unidos, onde começaram os problemas financeiros que se estenderam depois pelo resto do mundo, Mantega insistiu em que "quem produziu a crise deveria produzir instrumentos para solucioná-la".

Apesar de vários países terem apresentado sua visão da crise e de como deve ser a nova "arquitetura financeira mundial", com reformas a instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM), os ministros acabaram não definindo propostas para apresentar aos governantes na cúpula de 15 de novembro.

"Vamos desenvolver ao longo da semana uma agenda de propostas para levar à reunião de Washington", destacou Mantega.

Ele acrescentou que essa reunião de chefes de Estado ou de Governo do G20 terá o "poder político" para definir uma "proposta ambiciosa" de mudanças na regulação dos mercados e na reforma dos organismos multilaterais, mas esclareceu que decisões nesse sentido podem demorar "um, dois ou três meses" para serem sentidas.

A necessidade de reformar as instituições multilaterais de crédito, especialmente o FMI, foi defendida também pela ministra de Finanças francesa, Christine Lagarde, que considerou que o organismo esteve imerso na letargia nos últimos anos e se deixou levar por tentações "imperialistas".

"O FMI esteve adormecido nos últimos anos" e sua presença em muitos aspectos que tocam a economia mundial "não foi necessária", afirmou Lagarde, que acrescentou que se o organismo passar por uma reforma, pode sair fortalecido.

Sobre isso, o diretor-gerente do Fundo, Dominique Strauss-Kahn, afirmou que as coisas não estão tão mal quanto parecem.

"As coisas não estão tão mal, apesar de alguns mercados estarem congelados e de haver outros problemas, mas os bancos centrais atuaram muito bem", disse.

Em comunicado divulgado ao término da reunião, os membros do G20 insistiram na reforma do FMI e do BM para que reflitam as mudanças econômicas do mundo e possam "responder a desafios futuros", e coincidiram em que as economias emergentes devem ter "maior voz e representação nessas instituições".

"Se o FMI e o BM forem reforçados e os países emergentes passarem a ter uma maior participação, isso servirá para ajudar a enfrentar a crise", afirmou Mantega.

O G20 é formado pelos países do G7 (Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, Reino Unido, Itália e França), além de Brasil, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, China, Coréia do Sul, Índia, Indonésia, México, Rússia, África do Sul e Turquia, mais a União Européia (UE), como bloco. EFE joc/db

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