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Em encontro com representantes de todos os grandes bancos na semana passada, o ministro da Fazenda Guido Mantega cobrou mais empenho das instituições financeiras na concessão de empréstimos. Ainda há problemas de oferta de crédito em dólares e reais e o custo financeiro está muito elevado, dificultando o funcionamento da economia real, discursou.

O ministro resumiu o que ocorre neste momento: o auge do stress com a crise passou, os bancos voltaram a emprestar, mas a um custo mais alto.

Um relatório recente do Banco Central (BC) mostra que o total de empréstimos na economia brasileira avançou 2,9% de setembro para outubro. Nos oito primeiros dias úteis de novembro, as novas concessões cresceram 5,7% em relação ao mês anterior.

Os juros, no entanto, subiram tanto para pessoas físicas quanto para empresas, segundo levantamento do economista Bruno Rocha, da Tendências Consultoria. A taxa do cheque especial, saiu de 170,2% ao ano em setembro para 170,8% em outubro. A do empréstimo pessoal passou de 56,3% para 57,4%. Na pessoa jurídica, a taxa para capital de giro foi de 33,6% para 38,2% - enquanto a taxa básica de juros (Selic) continuou em 13,75% ao ano.

Um levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) traz outro dado importante. As instituições financeiras vêm encurtando o número de prestações dos empréstimos. De outubro de 2007 para cá o prazo médio para pagamento caiu de 18 para 13 meses. O prazo máximo caiu de 36 para 24 meses.

Miguel José Ribeiro de Oliveira, presidente da Anefac, explica que, do ponto de vista do cliente do comércio, essa informação é até mais importante do que a taxa cobrada. "O prazo afeta mais as vendas do que o juro mais alto", explicou. "O período menor para pagar o financiamento dificulta principalmente as compras do público de baixa renda."

O Estado fez uma simulação com base em levantamentos da Anefac e da Shopping Brasil, empresa especializada em shoppings de preços. Uma TV de LCD acima de 37 polegadas com valor médio à vista de R$ 4.526,13 financiada em 18 meses resulta em uma prestação mensal de R$ 428,75 com juro de 6,34% ao mês. Com 13 meses de prazo, a prestação do mesmo produto sobe para R$ 521,4 - 21,6% maior.

O presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef), Walter Machado de Barros, observa que esse cenário deve fazer com que muitas pessoas deixem de lado o crédito e comprem à vista. "Isso pode reduzir a demanda, uma vez que nem todo mundo tem condições de pagar à vista."

O economista-chefe da Febraban, Rubens Sardenberg, diz que os juros subiram após o corte do financiamento externo, que provocou um congestionamento de pedidos de empréstimos internamente.