O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem que a crise financeira dos Estados Unidos afeta o mundo todo, inclusive o Brasil. Para evitar um efeito tão dramático, nas palavras dele, sugeriu que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, coloque a barba de molho.

"O momento é de barba de molho. Sei que o ministro não tem barba, mas é um momento de barba de molho."

Em entrevista ao Programa do Jô, na TV Globo, previsto para ir ao ar ontem à noite, FHC recomendou ainda que o governo Lula segure os gastos. "O Brasil hoje vive um momento bom, com reserva de US$ 200 bilhões. Mas eu já vi, no meu tempo, uma reserva de US$ 70 bilhões desaparecer. Esse é um momento delicado. A mesma coisa que aconteceu lá (nos Estados Unidos) pode acontecer aqui dentro."
Ao insistir que é preciso "prudência", o ex-presidente comparou a atual crise financeira à quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929. "Até aqui no Brasil está tudo bem, um mar de rosas. Mas é preciso haver um momento de reflexão."

Para Fernando Henrique, a economia "está doente" e a crise começou porque o governo Bush foi "irresponsável fiscalmente". O ex-presidente disse que a crise terá reflexo na eleição presidencial americana. "A crise terá tanta influência quanto a guerra no Iraque", arriscou. Ainda ao falar sobre o atual presidente dos Estados Unidos, fez uma comparação com Luiz Inácio Lula da Silva, sem mencionar o nome do presidente brasileiro. "O Bush finge que não é com ele. Mas isso não é só ele quem faz. Eu não consegui aprender."

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