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GENEBRA - A Índia continuou irredutível nesta sexta-feira nas negociações na Organização Mundial de Comércio (OMC) para liberalizar o comércio agrícola e industrial. Kamal Nath, o ministro de comércio indiano, abandonou três vezes a sala de negociação, irritado com as cobranças para fazer concessões. Numa das vezes, só voltou a negociar depois que o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, foi pessoalmente buscá-lo fora.

A pressão sobre a Índia pode aumentar neste sábado, quando haverá reunião de ministros do G-20, o grupo liderado pelo Brasil.

Boa parte dos outros membros do grupo estão dispostos a aceitar o pacote proposto por Lamy, ou pelo menos não tiveram ainda a coragem de formalizar um bloqueio.

Kamal Nath vem protagonizando um verdadeiro espetáculo na negociação. Na quinta-feira, ele simbolizou a pouca ou nenhuma disposição de Nova Délhi para fechar um acordo, sendo o primeiro a partir da reunião.

Além de só dizer não, Nath mostrou desdenho pelas negociações na quinta-feira à noite, quando começou a ler o jornal em plena entre reunião de mais de 30 ministros.

Bastou o comissário de comércio da União Européia, Peter Mandelson, começar a falar, que Nath primeiro abriu o jornal, depois saiu da sala. Enfim voltou e se sentou atrás, visivelmente impaciente.

Durante as negociações no quadro mais restrito de sete países, ele foi surpreendido quando martelou que faria um acordo agrícola se os Estados Unidos cortassem os subsídios em pelo menos US$ 1.

Já preparada, a representante americana Susan Schwab tirou da bolsa uma nota de US$ 1, assinada pelo secretário de Tesouro dos EUA, e entregou a Nath, dizendo "Aí está, você está pago".

O indiano retrucou que podia flexibilizar desta vez. Bastava os Estados Unidos cortarem os subsídios em 50 centavos em termos reais - ou seja, abaixo de US$ 8 bilhões, ao invés de propor limite de US$ 15 bilhões.

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