Às vésperas da definição de um zoneamento agrícola que indicará onde poderá haver o plantio de cana-de-açúcar e quais serão as áreas de restrição, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse ontem que é possível, do ponto de vista agronômico, o plantio em áreas da Amazônia. Ele acrescentou que o foco não é o plantio em áreas desmatadas, que somam, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), 72 milhões de hectares, mas em determinados pontos.

"Na minha visão, poderia haver plantio nas savanas de Roraima", afirmou Stephanes, após se reunir com pesquisadores que elaboraram um estudo sobre a viabilidade da cana pelas regiões do País.

Stephanes também defendeu a manutenção do plantio em áreas da Amazônia que já estão ocupadas por usinas sucroalcooleiras. De acordo com ele, há três usinas na região: uma no Acre, uma nas proximidades de Manaus, no Amazonas, e outra no Pará.

O plantio de cana na Amazônia foi uma das grandes polêmicas entre Stephanes e a então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. O ministro chegou a defender a permissão e o incentivo à produção de cana na Amazônia, declaração que irritou Marina Silva e fez o ministro voltar atrás. Mesmo defendendo o plantio, porém, Stephanes explicou que uma das "regras básicas" do governo é a proibição do plantio de cana no bioma amazônico. Diante do impasse, caberá ao Palácio do Planalto decidir se haverá ou não autorização para plantio na Amazônia - o que será definido no zoneamento, que tem como base o estudo apresentado ontem pelos pesquisadores.

"Será uma decisão de governo", disse o ministro. No começo de junho, em viagem a Roma, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil não vai plantar cana na região amazônica. A afirmação do presidente foi uma resposta às críticas de organizações não-governamentais (ONGs) estrangeiras, que temem que a região se transforme num imenso canavial.

Pesquisadores que participaram da reunião disseram que o governo dispõe de mecanismos para frear o avanço da cana na Amazônia. Uma das alternativas é a restrição de crédito oficial para construção ou ampliação de usinas de etanol, que geralmente é oferecido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "Sem dinheiro não se faz nada", comentou um dos pesquisadores.

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