Paris, 17 out (EFE).- O ministro de Relações Exteriores de Cuba, Felipe Pérez Roque, criticou hoje a diligência dos líderes ocidentais para salvarem o sistema financeiro, em contraste com sua atitude para enfrentarem problemas como a fome no mundo.

"Correram com toda a velocidade para salvarem os bancos, mas não se colocou o mesmo interesse para salvar os analfabetos, os famintos, os doentes", declarou o chanceler cubano em entrevista coletiva em Paris.

Pérez Roque criticou "a diligência com a qual se trabalhou para buscar inúmeros fundos para salvar bancos e empresas financeiras que especularam e criaram este caos".

"Esta mesma determinação não existiu para buscar dinheiro que permita cumprir os Objetivos do Milênio, para os quais quase não eram necessários US$ 150 bilhões", declarou.

Para o ministro cubano, caso os líderes internacionais tivessem colocado a mesma determinação em buscar o dinheiro para cumprir estes objetivos que a que colocaram para salvar os bancos "teria acontecido um grande progresso na questão dos direitos humanos nestes últimos anos".

Pérez Roque afirmou que a crise financeira "não é um evento passageiro", mas é fruto da "fraqueza estrutural" de um "sistema de produção e consumo imposto ao mundo e que é irracional, insustentável e que deve ser profundamente reformado".

Neste sentido, o chanceler apostou no início de "um debate sobre o futuro amplo, transparente, democrático e inclusivo".

Este "não deve ser feito em um pequeno clube de países que decida por 200", declarou Pérez Roque, que propôs a Assembléia Geral da ONU "como o fórum mais amplo e democrático" para debater. EFE lmpg/fal

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