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Ministro critica venda de Alellyx e Canavialis para a Monsanto

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, se disse surpreso e decepcionado com a venda das empresas brasileiras de biotecnologia Alellyx e Canavialis para a americana Monsanto. A aquisição foi anunciada anteontem pela Monsanto e pela Votorantim Novos Negócios (VNN), fundo de capital de risco do Grupo Votorantim que criou e financiava as duas empresas desde 2002.

Agência Estado |

"Não sei quanto a Votorantim colocou nessas empresas ao longo desses anos, mas o setor público colocou muito dinheiro", disse Rezende ao Estado. "A venda para qualquer grupo estrangeiro é decepcionante. Como é que eles foram vender duas jóias como essas, tão importantes para o País?"

Segundo Rezende, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), aprovou R$ 49,4 milhões em subvenção econômica (investimento a fundo perdido) para pesquisas nas empresas nos últimos três anos - dos quais R$ 6,4 milhões já foram desembolsados. "São duas empresas que receberam investimentos do governo e, justo quando esse investimento estava amadurecendo, foram vendidas por um preço bastante módico", disse. A venda para a Monsanto foi fechada por US$ 290 milhões (R$ 616 milhões).

Segundo o Estado apurou, o investimento público já desembolsado representa cerca de 6% do que foi investido pela Votorantim nas empresas - entre R$ 95 milhões e R$ 100 milhões. Os convênios com a Finep foram firmados por meio de editais públicos, em que muitas empresas foram beneficiadas.

Alellyx e Canavialis são vistas como ícones de um movimento que busca incentivar a pesquisa e a inovação tecnológica dentro das empresas brasileiras, assim como fomentar um espírito empreendedor entre os cientistas da academia. Com sede em Campinas, ambas foram criadas por pesquisadores acadêmicos que participaram dos primeiros grandes projetos de genômica do País - em especial, o seqüenciamento da bactéria Xylella fastidiosa. As empresas trabalham com melhoramento genético de cana-de-açúcar e laranja, incluindo plantas transgênicas.

O biólogo, ex-professor da Universidade de São Paulo (USP) e diretor-executivo da VNN, Fernando Reinach, viu, porém, com bons olhos a venda das empresas. "É o primeiro empreendimento de capital de risco bem-sucedido no Brasil", disse Reinach, um dos principais cientistas responsáveis pelo projeto Xylella e pela criação das duas empresas. "Acho que é algo para se comemorar", disse, também, o presidente da VNN, Paulo Henrique de Oliveira Santos. Ele acredita que o sucesso do negócio incentivará outros fundos de capital de risco a investir em ciência e tecnologia.

"Isso mostra que fazer ciência pode ser um bom negócio no Brasil", concordou o físico José Fernando Peres, que era diretor-científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) quando as empresas foram criadas. "Por outro lado, é frustrante que não haja investidores nacionais com esse mesmo apetite para aportar recursos."

Rezende ressaltou que é a favor que multinacionais invistam em pesquisa no País, mas preferia que Alellyx e Canavialis permanecessem como empresas brasileiras.

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