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Ministério prevê balança comercial ruim também em fevereiro

BRASÍLIA - Depois do déficit da balança comercial em janeiro, o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Welber Barral, previu nesta segunda-feira que o mês de fevereiro também será ruim. Sem querer fazer previsões de valores, o secretário afirmou: Janeiro e fevereiro serão ruins, porque estamos no vórtice (redemoinho) da crise, disse ele, numa referência aos meses de impacto da crise na redução da demanda internacional no comércio exterior.

Agência Estado |

Barral informou que o anúncio de novas medidas para estimular as exportações brasileiras é "iminente". Segundo ele, o governo quer estimular as exportações com o aumento da competitividade, do crédito para as vendas externas e com desoneração.

Ele disse que o governo vai buscar abrir novos mercados, o que, segundo o secretário, será fundamental para manter o crescimento das exportações nesse cenário de crise.

Welber Barral disse que o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, teve uma bem-sucedida missão empresarial à África e que o governo vai fazer novas missões na África, Ásia e alguns países da América Latina.

Crise

O secretário disse também que a balança comercial brasileira de janeiro reflete o impacto da crise internacional no comércio exterior, que provocou uma redução da demanda e acirramento da competitividade entre os países. Barral destacou que o grande problema para as exportações brasileiras é a redução da demanda, principalmente dos Estados Unidos e da Europa. Por outro lado, o secretário reconheceu que alguns produtos brasileiros, como o aço, estão perdendo mercado devido à concorrência. Alguns países que tinham estoques elevados vêm oferecendo "preços de ocasião" para venderem seus produtos.

Ele destacou que há um aumento de medidas protecionistas. Ele diz que vê "arroubos" protecionistas em outros países. Segundo ele, o governo brasileiro está acompanhando de perto as medidas que vêm sendo adotadas por outros países e, se for necessário, entrará com reclamação na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Para Barral, "o protecionismo é um câncer e as medidas de retaliação são a metástase". Segundo ele, toda vez que um país adota medidas protecionistas, leva outros países à retaliação, criando problemas para o comércio exterior.

Ele reconheceu que há uma grande preocupação com o saldo da balança comercial brasileira no governo porque, nos últimos seis anos, a balança tem sustentado o balanço de pagamentos do País com o exterior. "A grande questão é tentar manter as nossas exportações", disse.

Por enquanto, o Ministério do Desenvolvimento não divulgou previsão de crescimento das exportações para 2009, o que deverá ocorrer só em março. O ministério, segundo Barral, trabalha com cinco cenários, mas em nenhum deles está previsto déficit da balança comercial para 2009.

Licença prévia

Barral citou duas obras de William Shakespeare, ao afirmar que os críticos da exigência de licença prévia para importações a entenderam mal. Barral negou que a redução das importações na última semana de janeiro esteja vinculada à adoção da exigência para alguns produtos - medida suspensa pelo governo no dia 28 de janeiro.

Para comprovar sua avaliação, o secretário apresentou dados segundo os quais, nos três dias em que a medida esteve em vigor, foram apresentados 49 mil pedidos de licenças, todos analisados pela Secretaria de Comércio Exterior, sendo alguns deles para 2010 e 2011.

No ano passado, segundo o secretário, foram apresentados 2,4 milhões de pedidos de licença relativos a produtos para os quais já vigorava a exigência, em uma média de 6 mil solicitações por dia. Desses 6 mil, segundo Barral, 2 mil eram de responsabilidade da Secretaria, e os demais eram licenças exigidas por Vigilância Sanitária, Polícia Federal, Receita Federal etc.

Barral, ainda manifestando desconforto com as críticas, negou que a exigência de licença prévia tenha tido caráter protecionista. Segundo o secretário, a exigência está prevista nas regras da OMC. Ele afirmou que houve mal-entendido na interpretação da medida e uma tentativa de se criar "um drama shakespeariano, com muitos candidatos a Iago".

A afirmação de Barral foi uma referência ao personagem que, na peça "Otelo", de Shakespeare, promove intrigas e desencadeia a tragédia. Barral afirmou, porém, que no caso das críticas à licença prévia, o que aconteceu não foi um drama, e sim uma "comédia de erros que estava mais para 'Muito Barulho por Nada'" - referência a outra peça de Shakespeare.

O secretário disse ignorar por que a empresa Nokia reclamou da licença prévia dizendo-se prejudicada pela medida: "Não sei que tipo de dificuldade ela pode ter tido".

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