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Mineradoras caem nas bolsas e começam a rever planos

Durante quase seis anos, as mineradoras de todo o mundo passaram muito longe da palavra crise. Puxados pelo espetacular crescimento da China, que multiplicou em mais de duas vezes e meia sua produção de aço nesse período, os preços do minério de ferro tiveram crescimento exponencial.

Agência Estado |

Só os contratos fechados este ano previam reajustes de até 71%, no caso da Vale, ou de até 100%, no caso das mineradoras australianas BHP Billiton e Rio Tinto.

Pois esse período parece ter sido definitivamente enterrado. A perspectiva de uma recessão mundial torna cada vez mais distante um novo reajuste de preços no ano que vem. E as empresas já se convenceram de que a China não vai passar imune pela crise global. Por isso, começam a rever seus planos.

Nas bolsas, a resposta a essa equação vem na forma de quedas sucessivas das ações. Apenas ontem, os papéis da BHP Billiton, a maior mineradora do mundo, caíram 15% na Bolsa de Londres. Os da Rio Tinto, 17%. Os da Anglo American, 20%. E os da suíça Xstrata, outros 20%. A brasileira Vale não fica atrás: as ações PNA da empresa caíram ontem 15,16% na Bolsa de Valores de São Paulo, a maior queda desde 15 de maio de 1990. Em pouco mais de 40 dias, a empresa perdeu mais de R$ 70 bilhões em valor de mercado.

Como reflexo direto da crise, a Rio Tinto anunciou ontem que vai adiar os planos para se desfazer de US$ 10 bilhões em ativos neste ano, além de rever os investimentos e reduzir a produção de alumínio. A principal razão disso, segundo a empresa, é a queda na demanda chinesa. Para a Rio Tinto, a demanda por commodities no país asiático não deve se recuperar antes do próximo ano, embora no longo prazo os chineses devam continuar a puxar o consumo, graças a seu forte crescimento doméstico.

A Rio Tinto assumiu dívidas de US$ 40 bilhões para financiar a compra da gigante do alumínio Alcan, e planejava se desfazer de pelo menos US$ 15 bilhões em ativos para reduzir a alavancagem. Segundo o diretor-financeiro da empresa, Guy Elliott, apesar do atraso nos desinvestimentos, a mineradora não terá dificuldade em pagar o serviço da dívida. Ele informou que os pagamentos só começam em outubro de 2009.

"Dados os fluxos de caixa, o fato de que vamos vender alguns ativos e que durante o próximo ano os mercados de bônus vão se abrir um pouco, não tenho absolutamente nenhuma dúvida de que conseguiremos pagar o serviço da dívida", afirmou.

O presidente-executivo da Rio Tinto, Tom Albanese, declarou que, diante da atual turbulência, a Rio Tinto vai rever os gastos de curto prazo em seu programa de investimentos. "Não vamos iniciar projetos se não houver demanda", afirmou. Ele não apontou quais projetos poderiam ser afetados e também não quis comentar se a revisão dos gastos poderia afetar a previsão da Rio Tinto de aumentar a produção em 8,6% ao ano até 2015.

A Rio Tinto rejeitou uma oferta hostil de compra, toda em ações, no valor de US$ 98 bilhões, feita pela BHP Billiton. Os méritos do perfil de crescimento da produção de cada uma delas têm sido objeto de acalorado debate entre ambas. A turbulência nos mercados de ações não mudou a posição da Rio Tinto em relação à oferta, disse a mineradora. Elliott reafirmou que a empresa não tem planos para se juntar à concorrente. "A BHP é que tem de se esforçar para conseguir nossa adesão, e eles não têm feito isso", declarou. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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