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Um dia antes de o consórcio liderado pela Suez Energia assinar o contrato de concessão da usina hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira (RO), o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que a proposta do grupo de deslocar a construção da usina para um ponto situado a nove quilômetros do lugar previsto no edital tem pelo menos quatro impactos ambientais positivos e um negativo. A constatação é dos técnicos do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama que analisam a proposta apresentada pelo consórcio Energia Sustentável do Brasil (Enersus), vencedor do leilão.

O presidente do Ibama, Roberto Messias, explicou, no entanto, que o fato de haver quatro pontos positivos e um negativo não significa que o placar está a favor da mudança do local. Para ele, é fundamental saber o tamanho do impacto negativo. "É como uma pessoa dizer que comeu um boi, e outra dizer que comeu três galinhas. Quem comeu apenas um boi comeu mais", comparou.

Os pontos positivos são: melhores condições de combate à malária na região, melhor administração dos sedimentos do rio, redução do volume de rocha a ser escavado e melhor preservação das espécies de peixes. Já o efeito negativo será o aumento da área a ser inundada: "Nossas equipes estão no terreno, querendo saber o que há nessa área adicional a ser alagada: se há muita ou pouca população, se há espécies (flora e fauna) de alto valor." O governo marcou para hoje, às 11h, no Palácio do Planalto, a solenidade de assinatura do contrato de concessão de Jirau. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, participam do evento.

A assinatura do contrato formaliza o resultado do leilão. Não significa, no entanto, a aprovação do governo à mudança do local da usina. Isto ainda precisa passar pela aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pelo Ibama. Se o deslocamento for rejeitado, o grupo terá de encontrar outro lugar ou construir a usina no ponto previsto no edital.

Minc afirmou que a resposta virá "em breve". O presidente do consórcio Energia Sustentável do Brasil, Victor Paranhos, considera pequena a área adicional a ser alagada, de 10,7 quilômetros quadrados. A redução na escavação de rochas, por outro lado, seria significativa: 13 km² de rochas menos.

A proposta é criticada pelo grupo liderado pela Construtora Odebrecht, que venceu a licitação de Santo Antônio, outra usina do complexo do rio Madeira. O grupo se disse disposto a levar o caso à Justiça, o que fez o governo ameaçar até cancelar os leilões e entregar as obras para a Eletrobras.