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O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, esclareceu hoje que a exigência da licença prévia concedida hoje para a usina nuclear de Angra 3 de um novo modelo de depósito de rejeitos nucelares tem de ser cumprida até o final da obra. Essa é uma condição para se expedir a licença de operação, explicou, referindo-se à terceira e última etapa do processo de licenciamento ambiental, que autoriza o empreendimento a entrar em funcionamento.

Reconheceu não existir atualmente no mundo uma tecnologia de excelência de tratamento adequado do lixo atômico, mas salientou ser "precário" o que é feito no Brasil, hoje, nas usinas de Angra 1 e Angra 2. Segundo Minc, os resíduos são colocados em piscinas próximas do litoral e "todos sabem que os mares tendem a subir", ressaltou. Informou existirem na Europa "soluções intermediárias mais interessantes", como colocar os rejeitos dentro de minas de sal. "Temos de buscar o equilíbrio e procurar locais seguros e lacrados", destacou.

A licença prévia concedida hoje, com 60 exigências à Eletronuclear, responsável pelas obras de Angra 3, ratifica a viabilidade ambiental da usina. A próxima etapa é a obtenção da licença de instalação, que permite o início das obras. Para conseguir esta licença, a Eletronuclear tem de provar ao Ibama ser capaz de atender a maioria das condições da licença prévia.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, acredita que a licença de instalação sairá até o final de agosto, de modo a permitir que as obras comecem em primeiro de setembro. Após questionado pelos jornalistas, seguidas vezes, se o prazo esperado pelo ministro é viável, Minc respondeu apenas que "teoricamente, não há óbices para isso", acrescentando que "depende mais da competência do proponente (Eletronuclear) para apresentar os documentos".

Manifestantes do Greenpeace realizaram, no início da noite, protesto pacífico em frente ao Ministério do Meio Ambiente. Portavam uma faixa com a montagem de uma foto do presidente do Ibama, Roberto Messias, com um tapa-olho de pirata desenhado com o símbolo da radiação e a frase "O Messias chegou e traz más notícias".

Santo Antonio

Minc afirmou também que a licença de instalação da Usina Hidrelétrica de Santo Antonio, no Rio Madeira (Rondônia), sairá até o próximo dia 30. Uma das exigências que serão feitas ao consórcio que construirá a usina, liderado por Furnas e Odebrecht, é a "adoção" de parques ambientais, disse o ministro. Com a adoção, o consórcio terá que arcar com os custos de conservação das condições ambientais da área.

"Um desses parques - eu já adianto agora - é o Parque Nacional Mapinguari", informou o ministro do Meio Ambiente. Ele observou que o parque, criado recentemente, fica no sul do Estado do Amazonas, em uma região muito próxima da área de Rondônia onde será construída a usina.

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