Minas Gerais quer exportar tecnologia. A 4ª Feira de Ciência, Tecnologia e Inovação (Inovatec), que termina hoje em Belo Horizonte, traz vários exemplos do esforço do Estado para integrar empresas e institutos de pesquisa, criando produtos inovadores.

A empresa Exsto, por exemplo, criou, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) um conversor eletrônico tricombustível, e negocia sua exportação para os EUA. O equipamento está sendo demonstrado na feira.

Criada em 2001 em Santa Rita do Sapucaí (MG), pólo conhecido como Vale da Eletrônica, a Exsto recebeu há dois anos R$ 165 mil da Fapemig para investir no desenvolvimento de um equipamento que permitisse ao veículo trabalhar com gasolina, álcool ou gás. A empresa também conseguiu R$ 30 mil do Sebrae e bolsa para quatro pesquisadores, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

"Mandamos hoje (ontem) a primeira mostra do produto para uma empresa da Califórnia", disse César Moreira de Alckmin, sócio da Exsto, que tem 20 funcionários. A produção do equipamento é terceirizada para outras empresas do pólo de Santa Rita. "Planejamos atingir nos próximos meses a produção de mil unidades mensais, sem contar os Estados Unidos." O Vale da Eletrônica tem 132 empresas, que produzem 10 mil itens e exportam para 50 países. Em 2007, faturaram R$ 780 milhões. A previsão para este ano é alcançar R$ 1 bilhão.

A previsão da Inovatec, aberta na segunda-feira, era receber 18 mil pessoas, gerando cerca de R$ 15 milhões em negócios. "Queremos que a Inovatec se torne uma referência nacional e internacional", disse Alberto Portugal, secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas.

Existem várias iniciativas para aproximar universidade e indústria, e para usar a inovação como um instrumento de desenvolvimento regional. Segundo Portugal, uma das ferramentas para isso é o Peabirus, serviço de redes sociais para empresas e universidades.

Os indicadores de ciência, tecnologia e inovação de Minas estão acima da média nacional. O Estado tem 373 pesquisadores por milhão de habitantes, comparados à média nacional de 346. As patentes depositadas por Minas estão em 290 por milhão de habitantes, frente a uma média brasileira de 195 por milhão.

A Fapemig contará neste ano com um orçamento recorde desde a sua criação, em 1985. Por conta do incremento da arrecadação, o governo estadual irá destinar ainda em 2008 um recurso adicional de R$ 30 milhões à fundação, o que fará com que o orçamento do ano chegue a R$ 210 milhões. A fundação trabalha com a expectativa de superar São Paulo no investimento per capita para a ciência, tecnologia e inovação.

Segundo o diretor-científico da Fapemig, Mário Neto Borges, desde o ano passado o governo mineiro passou a cumprir o dispositivo da Constituição estadual que prevê a destinação de 1% da receita líquida do Estado para a Fundação. Foi a primeira vez em sua história que a Fapemig recebeu a destinação orçamentária prevista constitucionalmente. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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