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Microempresários têm mobilidade social maior

O número de microempresários no Brasil já chega a 22 milhões. E essas pessoas apresentam rendimento e mobilidade social acima da média dos demais trabalhadores, segundo pesquisa divulgada ontem pelo economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Agência Estado |

O conceito de microempresário da pesquisa é amplo, e inclui desde vendedores ambulantes e camelôs até empregadores ou profissionais liberais, como médicos e dentistas.

Segundo o estudo, a renda domiciliar per capita dos microempresários era de R$ 761 no ano passado, superior à renda média per capita do total dos ocupados (R$ 526). O economista explica que a renda desse grupo está acima da média porque inclui não apenas o rendimento do trabalho, mas também transferências de programas sociais, como as do Bolsa Família.

A pesquisa mostra também que, segundo projeções para este ano, a maior parte, ou 54% dos microempresários, estão na classe C. De acordo com Neri, a mobilidade social é maior para eles do que para o restante da população. Em 2003, segundo a pesquisa, 42,8% dos microempresários estavam na classe C e 22,5% na D. Em 2008, segundo projeções da FGV, o porcentual de microempresários na classe C tinha subido para 54%, enquanto a fatia na classe D havia caído para 18,1%.

Para o total dos trabalhadores, também houve migração, mas um porcentual menor (50%) estava na classe C em 2008, segundo as projeções da FGV. A pesquisa destacou os microempresários como ponto de partida para análise do Crediamigo, programa de microcrédito do Banco do Nordeste - que encomendou o estudo.

Para Neri, a força desses microempresários e a continuidade do avanço no processo de mobilidade social no País este ano, como já havia ocorrido no ano passado, serão "amortecedores" para se enfrentar a crise financeira internacional. Segundo ele, a redução da pobreza e a ampliação da classe C - em detrimento das classes D e E - serão fatores "muito importantes para segurar a economia brasileira". De acordo com Neri, "o mercado interno é um amortecedor da economia do País bastante importante para enfrentar a crise".

De acordo com o pesquisador, a classe C, que ele chama de nova classe média, que chegou a 47,1% da população total do País em 2007, será de 50% do total em 2008. Em 2003, a classe C equivalia a 37,6% da população. No que diz respeito à classe E, ou seja, a camada de renda mais baixa, a projeção de Neri é que caia de 18,1% da população, segundo os dados do ano passado, para 15,3% segundo as projeções para este ano. Em 2003, essa fatia correspondia a 28% da população. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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