Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Microcrédito precisa de lei e bancos específicos, diz prêmio Nobel

SÃO PAULO - A criação de uma legislação específica para o microcrédito é fundamental para viabilizar a expansão dessas operações no Brasil e no mundo. Esse é o diagnóstico do economista de Bangladesh Muhammad Yunus, criador do conceito de microcrédito e ganhador do Nobel da Paz em 2006.

Redação com Valor Online |

Em sua segunda visita ao Brasil, ele participou nesta segunda-feira de um evento que marcou as comemorações dos dez anos do Banco Popular Paulista, voltado ao microcrédito.

Yunus é o criador do Grameen Bank, que começou como um estudo de e se transformou oficialmente em banco em 1983. Depois de perceber que as populações pobres de Bangladesh tinham dificuldade de sobreviver pela impossibilidade de obter empréstimos, o professor criou e passou a presidir o banco, que oferece recursos financeiros sem cobrar juros sobre juros ou exigir garantias.

"O banco que criamos é quase o oposto dos bancos convencionais. Eles procuravam os ricos, nós procurávamos os pobres. Eles procuravam os homens, nós procurávamos as mulheres. Eles diziam que as pessoas tinham que ir ao banco, nós dizíamos que o banco tinha de ir as pessoas", afirmou Yunus, que nasceu em Bangladesh, em 1940, formou-se em Economia em 1961 e fez doutorado nos Estados Unidos.

Nas últimas duas décadas, cerca de US$ 5.700 bilhões foram emprestados a aproximadamente 2.400 famílias. O índice de inadimplência registrado é de pouco mais de 1%.

Durante sua fala, Yunus explicou que somente com regras claras é que será possível a abertura de instituições voltadas exclusivamente à concessão de microcrédito, o que considera fator chave para a expansão dessa atividade, ainda bem pequena no Brasil.

Segundo ele, o ideal é que se crie instituições específicas para esse segmento, com estrutura mais enxuta e trâmites menos sofisticados dos que são praticados pelos bancos tradicionais. "Não dá para ter um barquinho com estrutura de navio", comparou o economista.

Também faz parte das recomendações de Yunus que os governos sejam meros observadores das operações de microcrédito. A seu ver, o Estado deve contribuir apenas para a criação do ambiente de negócios, mas não deve participar efetivamente da operação.

"Microcrédito e governo não têm uma boa química. Governo é uma engrenagem da política. Quando o governo se envolve, a política se envolve e tira a solidez do programa", exemplificou Yunus, que disse ter prometido auxílio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na expansão do microcrédito brasileiro.

Leia tudo sobre: microcrédito

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG