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Metrô refaz laudo que criticava IPT

A presidência do Metrô decidiu ontem refazer o relatório interno que desqualificava as conclusões do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) sobre o desabamento da futura Estação Pinheiros, que deixou sete mortos em 12 de janeiro de 2007. Concluído na sexta-feira, o documento de 15 páginas produzido por um grupo de trabalho instituído pela própria companhia no mês passado diz que o IPT desconhece procedimentos e não tem experiência ou habilidade para buscar ou saber obter dados sobre o andamento dos serviços.

Agência Estado |

O presidente em exercício do Metrô, Sérgio Avelleda, não quis comentar quais trechos o desagradaram.

Apesar da decisão do Metrô de rever o conteúdo do relatório, promotores do Ministério Público Estadual (MPE) vão se reunir na quinta-feira para discutir o assunto. "Se o Metrô tinha condições de fazer uma análise sobre o acidente, não precisava ter contratado o IPT", argumentou o promotor Arnaldo Hossepian Júnior, um dos responsáveis pelo inquérito policial que apura o acidente. "Ou a companhia gastou à toa - o que pode significar ato de improbidade administrativa - ou esse documento é uma mera tentativa de defesa." O Metrô pagou R$ 6,5 milhões para que técnicos do IPT investigassem e emitissem um laudo sobre o tragédia da Estação Pinheiros.

A criação do grupo de trabalho ocorreu após o secretário dos Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, admitir em entrevista ao Estado uma "fiscalização mais distante" por parte do Metrô.

Assim como o Via Amarela, técnicos da companhia apontaram "uma série de inconsistências entre o resumo inicial, o relatório propriamente dito, as conclusões e o filme editado" pelo IPT. A análise é idêntica à do diretor do consórcio, Márcio Pellegrini, que, na última sexta-feira, divulgou o relatório final das empreiteiras sobre o acidente. "A instituição (IPT) tem mais de cem anos de história e merece respeito. Só que quem está à frente dela são pessoas, e pessoas erram", disse ele na ocasião. "Não é por acaso que os últimos laudos do IPT estão sendo contestados", concluiu Pellegrini, em referência ao parecer dos técnicos sobre o incêndio no Hospital das Clínicas.

O relatório do Metrô contesta conclusões consideradas relevantes para o IPT, como o ritmo de escavação no mês do acidente. Segundo técnicos da companhia, o projeto executivo estabelece avanços de 2 a 2,4 metros. "O avanço médio detectado e constatado pelo IPT, de 1,89 metro por dia em janeiro, estava aquém do liberado em projeto", diz o texto. O grupo de trabalho salienta que, pelo laudo do IPT, não há evidências de responsabilidade de funcionários do Metrô no acidente.

Mas, se por um lado o relatório do Metrô utiliza argumentos semelhantes aos do Via Amarela, por outro fica claro o objetivo dos técnicos de afastar qualquer suspeita sobre a companhia. No item "Acompanhamento técnico durante a construção", por exemplo, eles reconhecem a gravidade da afirmação do IPT sobre a necessidade de suspender a obra. Na véspera do acidente, engenheiros e consultores do Via Amarela se reuniram e chegaram à conclusão de que era preciso reforçar as paredes do túnel. Pela análise do IPT, a decisão foi acertada, mas era preciso que a obra tivesse sido imediatamente suspensa e só retomada após a instalação do reforço.

Os técnicos do Metrô dizem que "a reunião era de cunho interno do consórcio, não cabendo a presença, como não houve, de nenhum representante do Metrô". Os técnicos são categóricos: "Somente o pessoal do CVA é que tinha o conjunto dos elementos, dados e indicadores técnicos para a tomada de uma decisão adequada e eficaz."

Internamente, a decisão da presidência do Metrô de mandar refazer o documento é vista como uma tentativa de assessores do secretário de adequar o texto às declarações feitas por ele no mês passado e, por tabela, responsabilizar a gestão anterior pelo acidente. Embora vejam deficiências no trabalho do IPT, fontes ouvidas pelo Estado consideraram desnecessários e ofensivos os ataques feitos à instituição.

O presidente em exercício do Metrô evitou comentar o teor do documento, alegando que ele será refeito. "Recebi o documento na sexta-feira, passei o fim de semana lendo e hoje (ontem) pedi que fosse refeito", afirmou. "Nosso objetivo era produzir algo técnico, e esse texto não atende às nossas expectativas." Avelleda negou que a criação do grupo de trabalho represente improbidade administrativa. "Estaríamos cometendo improbidade administrativa se deixássemos de analisar o laudo do IPT. Não estou refazendo o trabalho deles."

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