O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aprovou ontem um empréstimo de US$ 168 milhões (cerca de R$ 264 milhões) para o governo do Estado de São Paulo para investimentos no Metrô e na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). A verba será utilizada para compra de oito trens, na implantação de sistemas de sinalização e comunicação para a Linha 9 da CPTM (Osasco/Grajaú), e para financiar parte da expansão da Linha 5-Lilás do Metrô, que ligará as estações Largo 13 e Chácara Klabin, num trecho de 11,6 quilômetros de novos trilhos.

A obra da primeira etapa de construção da Linha 5, entre o Capão Redondo e o Largo 13, custou R$ 527,3 milhões (US$ 288,8 milhões), tocada pelo consórcio Sistrem, formado pela Alstom e Siemens, entre outras. As duas empresas são acusadas pelo Ministério Público de praticar esquema de pagamento de propina para obtenção de contratos em São Paulo e em outros países.

Os novos trens para a CPTM ajudarão a transformar o sistema em metrô de superfície, com menor intervalo entre as composições e carros mais modernos. Hoje, o tempo de espera dos passageiros durante o horário de pico é de 6 minutos e o objetivo, segundo a Secretaria dos Transportes Metropolitanos, é diminuir para a metade. Mas isso só acontecerá em 2011. "O tempo de espera para os passageiros dos trens será muito semelhante ao do sistema de metrô", prevê Vera Vicentini, líder de equipe do projeto de empréstimo do BID. "O investimento ajudará a Linha 9 a enfrentar o aumento de demanda dos próximos anos."

O empréstimo do BID financiará 70% do custo total do projeto de expansão da Linha 5 do Metrô. O restante será contrapartida do Estado. O prazo para pagamento é de 25 anos, com período de carência de 4,5 anos e taxa de juros baseada na London Interbank Offered Rate (Libor) - uma taxa interbancária cobrada sobre os empréstimos em moeda estrangeira e que vigora no mercado financeiro internacional.

Em maio, o governo federal já havia anunciado investimentos na ordem de R$ 15 bilhões no transporte público paulistano. Os recursos fazem parte do Plano de Mobilidade Urbana para a Copa do Mundo de futebol de 2014. Cerca de 80% do dinheiro (R$ 12,3 bilhões) será usado na ampliação da rede de metrô e o restante em corredores de ônibus. Também em maio, o próprio BID aprovou outro financiamento, de US$ 128,9 milhões, para a Linha 4 - Amarela do Metrô.

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