Em decisão unânime, a Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo decidiu hoje em assembleia que não fechará nenhum acordo global com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Os trabalhadores decidiram também que a última alternativa a ser negociada será a redução da jornada de trabalho associada à diminuição de salários.

A entidade representa 800 mil metalúrgicos em todo o Estado e é ligada à Força Sindical.

Durante a manhã de hoje, 52 sindicatos de todo o Estado votaram para que cada entidade julgue a melhor forma de negociar com as empresas para evitar uma onda de demissões no primeiro trimestre deste ano. O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, deixou a reunião antes do fim para se encontrar com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

Os metalúrgicos, uma das categorias mais afetadas pela crise financeira internacional e mais fortes dentro do sindicalismo, vão levar a decisão à diretoria da Fiesp ainda hoje. "Os patrões ganharam muito dinheiro no ano passado e acho que não podemos fechar um acordo a nível estadual porque as situações são diferenciadas em cada região. Então, nós não vamos fechar um acordo a nível global com a Fiesp e com nenhum segmento da Fiesp", disse o presidente da Federação, deputado federal Claudio Magrão (PPS-SP). "O que nós podemos sim é orientar, como já estamos orientando, nossos sindicatos para ver o melhor para os trabalhadores, e o principal, assegurando, em primeiro lugar, a garantia de emprego", acrescentou.

Para Magrão, não há contradição em relação às articulações de Paulinho junto ao presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que negociam um acordo para evitar demissões e que inclui a suspensão temporária dos contratos de trabalho e a redução de jornada e de salários.

"A questão da Força com a Fiesp não é um acordo, é uma intenção do que se pode fazer. Não é um acordo que a central está negociando, é o que se pode fazer dentro da lei. Cada sindicato vai definir sua situação na sua região", ressaltou. Para ele, as conversas entre Força e Fiesp são importantes porque não está claro, nem para empresas nem para trabalhadores, quais são as alternativas dentro da lei que podem evitar as demissões.

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